PIB capixaba cresce 2,2% no trimestre e supera média nacional; novos poços de petróleo e extração de minério sustentam o resultado
Por Amanda Amaral
Petróleo e gás e minério de ferro foram os responsáveis pelo bom desempenho da economia capixaba nos três primeiros meses deste ano. O crescimento de 2,2% na comparação com o mesmo período do ano passado, foi acima da média nacional, de 1,8%.
Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-Findes) referente ao 1º trimestre de 2026, e foram divulgados, nesta quarta-feira (24), pelo Observatório da Indústria da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). Somente a indústria, avançou 11,2% no período.
O setor de serviços obteve crescimento de 1,2%. Contudo, a agricultura retraiu 11,4% nos primeiros meses do ano. A queda foi explicada pela Findes em razão da baixa na produção de milho, tomate, cana-de-açúcar, arroz, coco-da-baía e pimenta-do-reino – produto em que o Estado é o maior exportador do país.
Indústria extrativa
A alta da indústria extrativa foi de 35% na comparação com o mesmo trimestre de 2025. Chamam atenção no período, o avanço na retomada gradual da Samarco, e o aumento na produção da Vale, além da operação da FPSO Maria Quitéria, no Campo Jubarte.
Conforme a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a produção média de petróleo, gás e biocombustíveis cresceu 35,9% no período, atingindo 219 mil barris por dia. Além disso, a produção média de gás natural no Estado alcançou 6,2 milhões de metros cúbicos por dia, crescimento de 69,3% na mesma base de comparação.
“Esse movimento tem impacto direto sobre a atividade econômica, tanto pelo peso do setor na estrutura produtiva capixaba quanto pelos efeitos sobre fornecedores, serviços e investimentos”, comentou Marília Silva, gerente executiva do Observatório Findes e economista-chefe da Findes.
Petróleo
Para a Findes, a atividade extrativa também foi influenciada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, que fizeram com que o preço do petróleo chegasse próximo de US$ 119 por barril nos momentos de maior tensão, e agora oscile em torno de US$ 90 por barril com o acordo para cessar fogo entre o Irã e Estados Unidos.

Contudo, Marília Silva, alerta que o preço elevado do petróleo favorece à exportação, mas contribui para a aceleração da inflação ao longo de 2026 e influência a taxa de juros: “Em maio, por exemplo, o IPCA acumulado em 12 meses atingiu 4,72%, ultrapassando o limite superior da meta de inflação e interrompendo o processo gradual de desinflação observado ao longo de 2025. Os preços dos combustíveis, alimentos, energia elétrica, transporte aéreo, aluguel residencial, planos de saúde e diversos serviços intensivos em mão de obra estão entre os principais responsáveis por essa alta”.

