Unidade de Ubu elimina desperdício e reforça sustentabilidade industrial no Espírito Santo
Por Redação – ES Brasil
A jornada de retomada operacional da Samarco caminha a passos largos em direção ao chamado “Momento 3”: a previsão de atingir 100% de sua capacidade produtiva a partir de 2028. No entanto, o crescimento projetado para os próximos anos não se mede apenas em toneladas de minério extraídas, mas no nível de eficiência socioambiental injetado na operação.
Dois anúncios recentes consolidam essa estratégia no Espírito Santo: a conquista de uma inédita “Patente Verde” pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e a consolidação de um sistema hídrico que já garante desperdício zero na Unidade de Ubu, em Anchieta (ES).
A tecnologia que rendeu à mineradora o selo de “Patente Verde” consiste em um método inovador de produção de pelotas de minério de ferro. Desenvolvido desde 2022 pela equipe de Engenharia de Processos da empresa, o sistema substitui parcialmente combustíveis fósseis tradicionais, como o coque e o carvão mineral, por insumos renováveis nos fornos de pelotização 3 e 4. O grande destaque é o uso da moinha, um resíduo fino de carvão vegetal, que é obtido da biomassa de eucalipto.
Implementada industrialmente em Ubu em 2023 e expandida em 2025 para as duas usinas pelotizadoras da companhia, a inovação já alcançou cerca de 15% de substituição de combustíveis fósseis. Na prática, isso representa uma redução média de 4,41 kg de CO₂ por tonelada de pelota produzida. De olho no mercado global de aço de baixa emissão, a Samarco já iniciou o processo de proteção internacional da tecnologia via Patent Cooperation Treaty (PCT).
Gestão hídrica e o “case” de Ubu

Se nas chaminés o foco é a descarbonização, no chão de fábrica o desafio atende pela segurança hídrica. Em entrevista exclusiva à ES Brasil, o gerente-geral de operações do Complexo de Ubu, da Samarco, Alysson Werneck, detalhou como a engenharia da companhia tem blindado o processo industrial contra desperdícios para sustentar a expansão produtiva de forma sustentável.
“A Samarco opera um sistema integrado de captação, uso e recirculação que permite manter índices elevados mesmo com o aumento da produção. Hoje, a taxa global de recirculação é de 87,70%, com destaque para a unidade de Ubu (ES), onde o índice chega a 100% graças ao balanço hídrico positivo. A água, que vai junto com o minério pelo mineroduto, é separada no processo e retorna ao sistema, eliminando a necessidade de novas captações. Em Germano (MG), a recirculação é de aproximadamente 84%”, afirma.
Para evitar sobressaltos à medida que o volume de produção avançar rumo às metas de 2028, Werneck explica que a governança utiliza tecnologia de ponta. “A Samarco utiliza modelagem hidrogeológica para antecipar o comportamento de aquíferos e águas superficiais, além de sistemas avançados de monitoramento contínuo, que rastreiam indicadores em tempo real e asseguram o cumprimento rigoroso das outorgas. A operação é suportada por softwares especializados que garantem rastreabilidade e controle de cada etapa do ciclo da água”, explicou Werneck .
Impacto socioeconômico e qualificação local

A engrenagem ambiental corre em paralelo com o impacto socioeconômico esperado para a região litorânea sul do Estado. A expectativa para o reaquecimento total do mercado de trabalho nos municípios de Anchieta, Piúma e Guarapari mobilizou a estruturação de um robusto plano de capacitação de mão de obra local voltado à inclusão social.
De acordo com dados compartilhados por Alysson Werneck, a Samarco iniciou em 2025 uma ofensiva de cursos técnicos gratuitos voltados para moradores dessas três cidades. As qualificações cobrem áreas vitais para a indústria moderna, como mecânica, automação, instrumentação industrial, eletrotécnica e eletromecânica.
No primeiro ano do programa (2025), foram abertas 23 turmas, alcançando 635 participantes. Para o ciclo de 2026, outras 11 turmas estão em andamento, totalizando 230 vagas ofertadas. O único pré-requisito fixado pela mineradora é ter idade mínima de 18 anos e residência comprovada em um dos três municípios integrados ao complexo.
“Além de preparar a força de trabalho para preencher diretamente as futuras vagas do Momento 3, mantemos uma esteira ativa de desenvolvimento e qualificação para os fornecedores e pequenos empreendedores estabelecidos no entorno de Ubu, por meio do programa Força Local”, conclui Werneck.


