Café impulsionou as vendas do agro capixaba para a região, que cresceram 12,3% no primeiro quadrimestre de 2026
Por Letícia Arcanjo
As exportações do agronegócio capixaba para o Oriente Médio somaram US$ 56,87 milhões entre janeiro e abril de 2026, crescimento de 12,3% em relação ao mesmo período do ano passado. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo café, que respondeu pela maior parte do avanço registrado no período.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), com base em informações do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as exportações de café para a região alcançaram US$ 40,46 milhões, alta de 59,3% na comparação anual. Em volume, foram embarcados 6,88 milhões de quilos do produto, crescimento de 50,1%.
A pimenta-do-reino, outro importante item da pauta agrícola capixaba, movimentou US$ 16,26 milhões nas exportações para o Oriente Médio. Apesar da relevância, o produto registrou queda de 8,6% em valor e de 11,5% em volume, totalizando 2,74 milhões de quilos exportados.
Os resultados reforçam a importância desses produtos para o agronegócio estadual. O Espírito Santo é o maior exportador de pimenta-do-reino do Brasil e também lidera a produção e a exportação de café conilon no país, consolidando-se como um dos principais fornecedores agrícolas para o mercado internacional.
Apesar do resultado positivo, o presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães, avalia que o desempenho do primeiro quadrimestre deve ser analisado com cautela, por refletir embarques realizados antes da intensificação dos conflitos na região.
“Na realidade, quando vemos o desempenho do Brasil no primeiro quadrimestre do ano com exportações maiores, estamos tendo uma visão olhando pelo retrovisor, porque a gente embarcou no primeiro quadrimestre do ano muitas mercadorias antes do conflito que se iniciou entre Irã e Estados Unidos”, aponta.

O especialista destaca ainda que a busca por novos compradores foi intensificada após mudanças no cenário comercial internacional e pela necessidade de reduzir a dependência de mercados tradicionais, devido às tarifas impostas pelos Estados Unidos no ano passado.
“Com isso, existia uma expectativa de melhora dos embarques para essa região, que foi interrompida em função dos conflitos que estamos vivendo há cerca de 60 dias, desde o fim de março”, avalia. De acordo com Magalhães, o principal desafio agora será entender como o cenário geopolítico poderá impactar o desempenho das commodities agrícolas nos próximos meses.

