Estudo do Santander aponta que economia do Estado deve crescer acima da média do Sudeste até 2027, com destaque para a indústria extrativa
Por Letícia Arcanjo
O relatório “Brasil Macroeconomic”, divulgado nesta quarta-feira (17) pelo Santander, projeta o crescimento das regiões e estados brasileiros até 2027 e aponta o Espírito Santo como um dos destaques da indústria nos últimos anos. Segundo o levantamento, o desempenho capixaba segue sendo impulsionado principalmente pela indústria extrativa, com destaque para os setores de petróleo e minério de ferro.
O estudo foi elaborado pelo Departamento Econômico do Santander, comandado por Ana Paula Vescovi, que já foi secretária da Fazenda do Espírito Santo. Em entrevista recente à ES Brasil, a economista destacou o Estado como referência nacional em eficiência e solidez fiscal.
O levantamento indica que o Produto Interno Bruto (PIB) do Espírito Santo deverá atingir 2,1% em 2026 e 1,2% em 2027, projeções que estão acima das estimativas para os demais estados da região Sudeste. O principal motor desse avanço continua sendo a indústria, especialmente a atividade extrativa.
Para o setor industrial, a expectativa é de crescimento de 2,8% em 2026 e de 2,3% em 2027. Apesar da desaceleração em relação aos anos anteriores, o cenário permanece positivo e acompanha o movimento da economia brasileira.
O especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, explica que fatores internacionais e locais ajudam a explicar o momento favorável do Estado, segundo ele, o cenário geopolítico global e as oscilações nos preços do petróleo têm contribuído para fortalecer o setor, enquanto a ampliação da produção de petróleo e gás no Espírito Santo, impulsionada por unidades mais modernas e seguras, como a plataforma Maria Quitéria, reforça o crescimento da atividade econômica.

Outro destaque, segundo Lira, é a recuperação da mineração, com a retomada das operações da Samarco, que tem contribuído para a expansão da indústria extrativa e para o fortalecimento da atividade industrial capixaba. “Essa expansão segue ao longo dos próximos trimestres, e Espírito Santo deve fechar o ano de 2026 com um crescimento da economia acima da média nacional e também com o crescimento da indústria”, pontua.
Os dados mais recentes do IJSN reforçam esse cenário, mostrando que no primeiro trimestre de 2026, a economia capixaba cresceu 5,0%, desempenho superior ao registrado pelo Brasil no mesmo período, de 1,8%. O avanço foi puxado principalmente pela indústria que teve alta de 11,8%.
Além disso, o PIB nominal do Estado alcançou R$ 63 bilhões entre janeiro e março e, no acumulado de quatro trimestres, superou pela primeira vez a marca de R$ 250 bilhões, atingindo R$ 253,1 bilhões.

