Complexo em Anchieta visa 44% menos emissões até 2028 e aposta em energia 100% renovável
Por Redação – ES Brasil
O Espírito Santo vive um momento decisivo na transição energética industrial. A Samarco, um dos motores econômicos do Estado, tem transformado o Complexo de Ubu, em Anchieta, em um verdadeiro laboratório de soluções sustentáveis.
A estratégia não é apenas reduzir danos, mas redefinir a forma como o minério de ferro é processado, utilizando a inovação tecnológica para liderar a descarbonização no setor de mineração brasileiro.
A preparação do Complexo para atingir a capacidade total de produção até 2028 coloca a Samarco diante do desafio de conciliar o aumento do volume operacional com metas rígidas de controle ambiental.
O ponto central dessa transição está concentrado nos fornos de pelotização, instalações que exigem alto consumo térmico e que hoje passam por testes para a substituição gradual de combustíveis fósseis, como o coque e o carvão mineral, por opções renováveis, incluindo o bio-óleo e a moinha de carvão vegetal.
Alysson Werneck, gerente-geral de Operações do Complexo de Ubu, da Samarco, fala sobre o planejamento que a empresa têm adotado. “A Samarco segue um planejamento de retomada gradual das suas operações de forma responsável e segura. No Complexo de Ubu, para a retomada de 100% da nossa capacidade produtiva instalada, serão investidos cerca de R$ 3,5 bilhões para modernizar as duas usinas que estão paradas atualmente”, disse.
A retomada total da companhia vai movimentar ainda o mercado de trabalho na região de Anchieta, Piúma e Guarapari, o que leva a contratações e capacitações de mão de obra local. “Com o objetivo de preparar a força de trabalho para as novas vagas do Momento 3, a Samarco vem oferecendo, desde 2025, capacitações gratuitas para moradores da região, em áreas como mecânica, automação, instrumentação industrial, eletrotécnica, eletromecânica, dentre outros”, disse Werneck.
O marco mais recente dessa jornada foi a conquista da “Patente Verde” junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A tecnologia desenvolvida pela empresa permite a substituição parcial de combustíveis fósseis (como o coque e o carvão mineral) por biomassa de eucalipto na produção de pelotas de minério de ferro.
Matriz Energética e o Futuro Eólico

A descarbonização em Ubu vai além dos fornos. A Samarco alcançou a marca de operar com 100% de energia elétrica proveniente de fontes renováveis. Para garantir a sustentabilidade de longo prazo, a empresa firmou uma parceria estratégica com o complexo eólico Serra do Tigre, com previsão de entrega de 45 MW médios de energia limpa a partir de 2027.
O desafio está em garantir que a estratégia ESG permeie todas as camadas do Complexo de Ubu, das usinas de pelotização ao terminal marítimo, passando pelo pátio de estocagem e pela cadeia de fornecedores e estamos avançando com resultados concretos.
Nas usinas, o principal desafio é a descarbonização dos fornos de pelotização, onde a transição de combustíveis fósseis para renováveis ocorre de forma gradual e técnica. A substituição parcial por bio-óleo e moinha de carvão vegetal, combinada ao uso de gás natural como combustível de transição, já resultou em uma redução de 44% nas emissões de Gás de Efeito Estufa (GEE) em relação a 2015. Cada avanço precisa ser validado em termos de eficiência térmica e qualidade das pelotas, o que impõe um ritmo criterioso à inovação.

Além disso, a unidade capixaba reutiliza 100% da água industrial e aproveita resíduos da lavra de mármore na produção de pelotas, o que reduz a extração de recursos naturais.
No terminal marítimo, a estratégia ESG começa antes da atracação: a exclusão de navios com classificação energética “E” na escala da Organização Marítima Internacional (IMO) e a antecipação das manobras reduzem emissões indiretas, o que demanda planejamento logístico de precisão. O porto também viabiliza a importação de insumos como calcário de alto teor de óxido de cálcio (CaO) e coque verde, que ampliam a eficiência térmica nas usinas.
Um compromisso com metas globais
A atuação em Ubu está alinhada aos padrões internacionais do Conselho Internacional de Mineração e Metais (ICMM) e aos compromissos da agenda ESG da mineração brasileira. As metas são claras e ambiciosas:
- Curto/Médio Prazo: Redução de 30% das emissões de gases de efeito estufa até 2032.
- Longo Prazo: Neutralidade de carbono (emissões líquidas neutras) até 2050.
Integração Regional e Desenvolvimento Industrial
A Samarco tem buscado atuar em convergência com o Plano Estadual de Descarbonização do Espírito Santo.
Segundo a companhia, o foco é integrar dados de disponibilidade hídrica e emissões para que a governança corporativa de recursos hídricos e de carbono seja uma realidade consolidada, garantindo que o crescimento econômico do Espírito Santo caminhe de mãos dadas com a responsabilidade ambiental.
Com esses avanços, a Samarco não apenas reduz a sua pegada de carbono, mas coloca o Espírito Santo na vanguarda tecnológica global, provando que a indústria pesada pode, sim, ser um vetor de sustentabilidade.

