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Governo tenta excluir rochas e aço capixaba de barreira em EUA

Em entrevista ao programa ‘Bom Dia, Ministro’, Márcio Elias Rosa afirma que o Brasil adota “frieza e técnica” para defender exportações de quartzitos, mármores e granitos capixabas. 

Por Geilson Ferreira

A nova escalada nas tensões comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos ganhou um capítulo decisivo. Sob a ameaça iminente de uma nova sobretaxa de até 25% proposta pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o governo brasileiro tenta correr contra o tempo nos bastidores diplomáticos para proteger os setores mais vulneráveis da economia nacional, com destaque absoluto para a pauta exportadora do Espírito Santo.

Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, do CanalGov, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, revelou que o governo federal está empenhado em retirar o setor de rochas ornamentais e a siderurgia da mira de Washington. A barreira, motivada por pressões de natureza geopolítica e eleitoral que envolvem desde questionamentos ao sistema de pagamentos instantâneo Pix até regulações de redes sociais, pode entrar em vigor em 15 de julho de 2026.

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Ministro Márcio Elias Rosa no Bom Dia, Ministro
ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa | Foto: Agência Brasil

Para o Espírito Santo, maior produtor e exportador de rochas ornamentais do país, o anúncio norte-americano gerou forte apreensão. O presidente do Centro Brasileiro dos Exportadores de Rochas Ornamentais (Centrorochas), Tales Machado, destaca que os Estados Unidos absorvem cerca de 45% do faturamento internacional do setor. No caso capixaba, os quartzitos conseguiram figurar em uma lista preliminar de exceções de Washington, mas categorias vitais como mármores, granitos e ardósias seguem sob risco severo de tributação.

Questionado sobre as estratégias para mitigar os impactos no Espírito Santo, o ministro Márcio Elias Rosa garantiu que há uma mobilização semanal focada na exclusão de cadeias produtivas específicas.

“eu mesmo me empenho muito com o governo norte-americano para que esse setor esteja na lista de exceções. Você vai lembrar que ele, infelizmente, foi um dos setores que ficou incluído na sujeição ao tarifaço, sofreu os efeitos do tarifaço. E é terrível, Karine [Melo, apresentadora], as pessoas precisam ter consciência disso, que há setores cuja produção e empresas cuja produção era totalmente comercializada para os Estados Unidos. Setor de madeira, calçados, setor de rochas ornamentais, produção de sal, vende exclusivamente para os Estados Unidos uma determinada empresa. E aí vem com uma tarifa de 40% ou de 50%. A nossa política primeiro é de exclusão desse setor e depois de redução, evidentemente, das tarifas”, afirmou o ministro

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A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), alinhada à Confederação Nacional da Indústria (CNI), manifestou preocupação com a quebra de competitividade e defende soluções puramente negociadas para mitigar os danos à indústria local.

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Esta não é a primeira vez que o comércio capixaba enfrenta restrições drásticas vindas da Casa Branca. Em agosto de 2025, uma ordem executiva norte-americana aplicou tarifas severas de 50% sobre variados insumos brasileiros, deixando sequelas nas margens de lucro, na atração de novos investimentos e forçando indústrias do estado a buscarem mercados alternativos.

O economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, explica que o novo pacote mistura fatores regulatórios domésticos com pura geopolítica. Ele reitera que retaliar o Brasil usando o Pix — que é um sistema de transferências nacional, público e seguro — não configura prática desleal de comércio.

O próprio ministro do MDIC classificou a ofensiva externa como injusta e apontou oportunismo eleitoral nas justificativas americanas. Segundo Márcio Elias Rosa, o governo brasileiro tem mantido a firmeza nas mesas bilaterais:

“Nós sofremos uma sobretaxa que nos colocou com uma barreira tarifária insuportável em relação aos Estados Unidos de 50% junto (…). Agora, mais recentemente de novo, voltam para o palco as mesmas figuras. E aí, na mesma semana nós temos o crime organizado associado ao terrorismo e uma recomendação para 25% de tarifa para o Brasil, uma sobretarifa de mais de 25% além de outra de 12,5% que daria 37,5%, colocando o Brasil fora do contexto de novo do comércio com os Estados Unidos. Situação absurdamente injusta do ponto de vista comercial, absolutamente agressiva do ponto de vista da soberania, que o Brasil obviamente não aceita, mas continua negociando com muita técnica, com muita frieza”, enfatizou o ministro.

A expectativa de industriais e exportadores capixabas se volta agora para as audiências públicas do USTR em Washington. Enquanto o café capixaba obteve um respiro ao integrar a lista de isenções temporárias, os setores de metalmecânica, siderurgia e mármores aguardam o desfecho técnico da diplomacia para entender se o imposto de 25% se consolidará como uma barreira intransponível a partir de julho.

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