Estudo revela alta tributação em itens juninos, com impacto direto no preço de bebidas, doces e vestuário tradicional
Por Letícia Arcanjo
A tradição das festas juninas movimenta o consumo de bebidas, alimentos típicos e roupas características, mas também evidencia o peso dos impostos embutidos nos preços desses produtos. Um levantamento do advogado tributarista Samir revela que a carga tributária pode ultrapassar 60% em itens como vinho importado (64,57%) e chegar a 58,56% nos fogos de artifício, ambos bastante presentes nas comemorações juninas.
“As festas juninas movimentam uma grande variedade de produtos, e boa parte dos consumidores não percebe que uma parcela relevante do valor pago corresponde a tributos já embutidos no preço final”, ressalta Samir Nemer,
Outras bebidas típicas também registram tributação elevada, como o quentão com 47,24%, o vinho nacional com 45,56% e a cachaça que apresenta 43,86% de impostos. Entre os alimentos tradicionais, os percentuais variam de 39,21% em paçoca e pé de moleque a 34,58% no amendoim, passando por canjica (37,22%) e cocada (36,98%). Produtos como leite condensado, amplamente utilizados em receitas, também apresentam carga elevada, de 35,78%.
Além disso, itens de vestuário associados às festas, como roupas caipiras e acessórios, também sofrem incidência de impostos, com destaque para peças como cinto de couro e vestidos típicos. O levantamento considerou bebidas, doces, alimentos e itens de vestuário tradicionalmente associados às festas juninas, com base nos percentuais divulgados pelo Impostômetro.
Para o advogado, a percepção do consumidor sobre a composição dos preços ainda é limitada, já que os tributos estão embutidos no valor final pago no varejo. Ele defende que maior clareza sobre essa estrutura pode contribuir para um debate mais informado sobre o sistema tributário.
O coordenador do Observatório da Fecomércio, André Spalenza, destaca que impostos como ICMS, PIS e COFINS incidem diretamente sobre produtos industrializados, influenciando o preço final ao consumidor. Ele avalia ainda que impacto dos tributos se soma ao comportamento típico de datas sazonais, que concentram o consumo em determinados períodos do ano.

“Quando a gente fala de festas juninas, temos também um período de apelo emocional. Então são produtos que passam a ser vendidos em maior quantidade durante as festividades, e esse período é uma das datas sazonais, e sejam estas eventos de um dia, dois ou de um mês, a economia capixaba sente diretamente o impacto, com variação entre os setores”, afirma.

