Setor destaca retomada da competitividade brasileira e avanço de 70% nos embarques capixabas de café
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo chega ao Dia Nacional do Café, celebrado em 24 de maio, com avanço nas exportações e expectativa positiva para o mercado cafeeiro na início da colheita da safra em 2026.
Dados do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) mostram que, entre janeiro e abril, o Estado exportou 1,47 milhão de sacas de 60 quilos, crescimento de 70% em relação ao mesmo período de 2025. Na comparação entre abril deste ano e o mesmo mês do ano passado, o volume exportado saltou 239%, passando de 153 mil para 519 mil sacas.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães, explica que o aumento nas exportações é resultado de uma combinação de fatores, principalmente da recuperação da competitividade brasileira no mercado internacional.
“Ano passado, nessa mesma época, o café valia praticamente o dobro do que vale hoje. Isso não nos deixava competitivos no mercado global. Agora, como o mercado cedeu, voltamos a ser competitivos”, afirma.
Queda nos preços
Apesar do avanço nos embarques, os preços do café recuaram em relação ao ano passado. No caso do café Conilon, principal variedade produzida no Espírito Santo, Marcus Magalhães pontua que os valores no início da safra variam entre R$ 850 e R$ 900 por saca.
De acordo com Magalhães, essa retração é influenciada pela queda do dólar, pela redução dos problemas logísticos globais e pela recuperação da produção em outros países.
Safra capixaba
A expectativa, segundo o presidente, para a safra capixaba deste ano é de redução na produtividade em relação a 2025, quando o Estado registrou uma colheita considerada elevada.
Segundo o especialista, o ciclo natural das lavouras contribui para essa queda após um ano de alta produção. Ainda assim, os estoques acumulados pelos produtores ajudam a equilibrar o mercado.

“Como o produtor precisou vender menos quantidade de café no ano passado, por causa dos preços altos, ele entra nesta safra com estoque armazenado. A soma desse café estocado com a nova produção traz conforto para o abastecimento no curto e médio prazo”, explica.
Marcus Magalhães destaca ainda o impacto social do café no Espírito Santo, com a atividade tendo papel fundamental na distribuição de renda, principalmente, no interior do Estado
“Essa é uma atividade rural que mais socializa o recurso e que mais emprega, pois o café está desde micro propriedades a grandes propriedades. E quando ele entra no mercado vendendo os seus produtos, a gente consegue injetar na economia, do pequeno ao grande, um volume representativo de dinheiro”, pontua.

