Indústria alerta que sobretaxa de 25% sobre café solúvel pode aumentar inflação e prejudicar consumidores americanos
Por Amanda Amaral
A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) defenderam, na segunda-feira (06), o café solúvel brasileiro da tarifa de 25% propostas pelos Estados Unidos para as importações do produto. Os representantes brasileiros participaram em Washington das audiências públicas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, em inglês), que debate a sobretaxa norte-americana.
“As três manifestações conversavam muito entre si e um ponto importante é que nenhuma das entidades foi arguida, não houve contestação em nenhum dos pronunciamentos de defesa do café solúvel brasileiro, o que nos deixa esperançosos para que o produto não venha a sofrer a taxação de 25%, entrando em uma lista de isenção, tal qual os demais tipos de café do Brasil”, relata José Pimenta, diretor de Relações Governamentais e Comércio Internacional do BMJ – escritório contratado pela Abics.
O presidente do Sindicato dos Corretores de Café do Espírito Santo (SCCES), Marcus Magalhães, a isenção tarifária é vista como fundamental para a competitividade das três fábricas de café solúvel instaladas no Estado. “Nós olhamos o Mercosul e a União Europeia fazendo acordos bilaterais, colocando as tarifas em ritmo descendente para chegar a zero, não é crível olharmos os Estados Unidos e achar que eles vão nos tarifar, porque não tem fatores plausíveis. Realmente, é uma situação complexa e estamos torcendo para que haja um bom senso do governo americano”, explicou.
Um dos argumentos da indústria brasileira foi a inflação. Para a Abics, a tarifa adicional de 25% (nos termos da Seção 301) elevaria os preços, pressionaria as margens das empresas e sobrecarregaria desproporcionalmente as famílias americanas.
“Além disso, esse suprimento não pode ser facilmente substituído. O mercado de importação de café solúvel dos EUA é altamente concentrado: México e Brasil respondem por quase 60% do total das importações, sendo que os preços mexicanos são cerca de 1,5 vez mais altos que os brasileiros”, explica o diretor de Relações Institucionais da Abics, Fabio Sato.

Sato ressaltou ainda que, Colômbia, Vietnã e Indonésia apresentam capacidade excedente limitada, e que fornecedores alternativos não conseguiriam suprir essa lacuna prontamente. “Dadas as margens reduzidas dos produtores de alimentos e bebidas dos EUA, esses custos provavelmente seriam repassados aos consumidores, gerando disparada na inflação. Por todas essas razões, solicitamos ao USTR a exclusão do código HTS 2101.11.21, que se refere ao café solúvel brasileiro, de quaisquer tarifas adicionais da Seção 301”, informa Sato.

