Nova tarifa dos EUA preocupa indústria e exportadores capixabas, com risco para a competitividade no mercado americano
Por Letícia Arcanjo
A proposta dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados pelo país tem gerado preocupação entre exportadores e representantes da indústria. A medida é justificada pelo governo norte-americano com argumentos relacionados ao comércio digital, ao sistema de pagamentos Pix, à regulação das redes sociais e às políticas de combate ao desmatamento ilegal.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, os motivos apresentados pelos Estados Unidos misturam fatores econômicos, regulatórios e geopolíticos.
Segundo ele, a investigação conduzida pelo Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) aponta supostos impactos de políticas brasileiras sobre interesses comerciais americanos, mas a proposta de taxação ultrapassa o campo estritamente comercial.
“O Pix é um sistema doméstico desenvolvido pelo Banco Central e não configura uma prática desleal de mercado. O sucesso da ferramenta ampliou a concorrência no setor de pagamentos. Já as discussões sobre redes sociais possuem um componente muito mais político e regulatório”, afirma.
De acordo com informações da Agência Brasil, apesar da abrangência da medida, que poderá entrar em vigor em 15 de julho de 2026, o governo americano prevê exceções para produtos considerados estratégicos ou que possam causar impactos significativos na economia dos Estados Unidos caso sejam taxados. Também ficam de fora itens que não podem ser produzidos em quantidade suficiente no país ou obtidos facilmente de outros fornecedores.
Rochas
No caso das rochas naturais, a medida abrange a categoria dos quartzitos brasileiros. Entre os produtos que não estão contemplados nas exceções anunciadas pelos EUA, estão categorias que incluem granitos, mármores, ardósias e outros materiais.
“A preocupação do setor permanece elevada. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de rochas naturais e a proposta anunciada pelo USTR volta a colocar sob risco aproximadamente 45% do faturamento exportado pelo setor. A inclusão de um código de nossos produtos entre as exceções é uma informação relevante, mas ainda estamos avaliando os impactos sobre outras categorias importantes da nossa pauta exportadora”, afirma Tales Machado, presidente da Centrorochas.
Segundo Ricardo Paixão, o setor de rochas ornamentais aparece entre os mais vulneráveis à medida, já que os Estados Unidos são um dos principais destinos do mármore e do granito produzidos no Estado. “Caso esse produto seja efetivamente tributado em 25%, o custo final para o comprador americano aumentará, o que pode reduzir a competitividade das exportações capixabas”, avalia.

Já o café, um dos principais produtos exportados pelo Espírito Santo, integra a lista preliminar de exceções divulgada pelo governo americano. O economista ressalta, entretanto, que a situação do café solúvel ainda dependerá das classificações tarifárias e da definição final dos produtos que serão atingidos.
Industria Capixaba
A Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), seguindo posicionamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou acompanhar a proposta com preocupação e defende a busca de soluções negociadas entre os dois países. A entidade avalia que a medida pode gerar impactos negativos em cadeias produtivas.
Tarifaço 2025
Ricardo Paixão lembra que as tarifas de 50% impostas sobre parte das exportações brasileiras para os Estados Unidos, que entraram em vigor em agosto de 2025 afetaram diferentes setores exportadores brasileiros.
“Como a economia capixaba possui forte vocação exportadora, qualquer restrição ao mercado americano tende a gerar preocupação. Os impactos normalmente incluem redução das margens de lucro, adiamento de investimentos, perda de competitividade e a necessidade de buscar novos compradores em outros países”, afirma.

