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Reforma tributária: especialistas discutem incentivos fiscais no ES

Grandes nomes do direito tributário no Brasil estiveram em Vitória e debateram sobre os impactos da reforma tributária

Por Amanda Amaral 

A reforma tributária foi o principal tema do lançamento do Instituto Capixaba de Direito Tributário (ICDT), na tarde desta quarta-feira (19). A questão dos incentivos fiscais ofertados pelo Espírito Santo para atração de empresas, esquentou o debate entre especialistas de renome nacional.

O evento aconteceu em Vitória com o tema “Reforma tributária do consumo: para onde vamos?”. A primeira mesa técnica abordou o fim, após reforma tributária, de benefícios fiscais como o Programa de Desenvolvimento e Proteção à Economia do Estado do Espírito Santo (Compete-ES) e o Programa de Incentivo ao Investimento no Estado do Espírito Santo (Invest-ES). A extinção será gradual, e será criado um fundo para os benefícios concedidos.

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Para os especialistas, o debate aborda um dos temas mais complexos da Reforma Tributária, foi reforçado na discussão, a necessidade de equilibrar neutralidade tributária, transparência, preservação do federalismo e desenvolvimento regional.

“Alguém paga a conta desses benefícios tributários. O Estado deixa de arrecadar […] A manutenção dos benefícios me parece contraditória ao novo sistema”, segundo a procuradora da Fazenda Nacional e integrante da equipe da Coordenação-Geral da Representação Judicial da PGFN, a professora Fernanda Schmitt, que complementou: ““Há também a possibilidade de que outras empresas venham se instalar aqui, não pela concessão de benefícios tributários, não pela redução de receita que o Estado oferta, mas pela questão logística”, destacou. 

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O professor titular de Direito Tributário da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Luís Eduardo Schoueri, que, em se tratando de recursos públicos, é necessário transparência e controle, alertando para a ausência de prestação de contas: “Há outros instrumentos que me parecem muito mais eficazes, que é no campo das subvenções […] Ela precisa de tantos reais, eu lhe dou tantos reais, nem um a mais, nem um a menos. Eu posso ter a prestação de contas, mas é muito burocrático. Sem dúvida, a subvenção é burocrática”, disse o professor, que também é presidente do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT).

Na sequência, Roque Carrazza apresentou um contraponto, demonstrando preocupação com a autonomia financeira dos entes federativos. Para ele, a reforma pode aproximar o Brasil de um estado unitário. “É óbvio que o que vier para melhor é digno de aplausos, porém é preciso observar diretrizes irresolvíveis a autonomia financeira de todas as pessoas políticas e essa autonomia financeira, a meu ver, vai ser ameaçada. Os estados, municípios perderão arrecadação”, disse o especialista, professor emérito e titular da cadeira de Direito Tributário da PUC-SP e autor de referência na doutrina tributária brasileira.

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A mestre em Direito e Políticas Públicas e ex-procuradora da Fazenda Nacional, a professora Lana Borges Câmara a perspectiva do contencioso tributário, reforçando a falta histórica de transparência na concessão de benefícios e questionando quem realmente se beneficia deles. “Benefício fiscal não é concedido para quem precisa, e sim para quem tem poder político”, afirmou.

Por fim, o presidente do Centro de Estudos das Sociedades de Advogados (CESA) e presidente-honorário da Associação Brasileira de Direito Financeiro (ABDF), o professor Gustavo Brigagão, abordou a complexidade dos novos regimes diferenciados da reforma. Ele alertou para o risco de estados com menor infraestrutura perderem competitividade sem instrumentos adequados de compensação, reconhecendo que o país nunca conseguiu resolver a guerra fiscal por unanimidade entre os estados. “A quebra desse paradigma vai trazer dificuldades muito grandes para estados dependentes dos benefícios”, analisou.

Lançamento do Instituto

Reforma tributária: especialistas discutem incentivos fiscais no ES
João Paulo Barbosa Lyra, Alessandro Rostagno, Priscila Martins Hyppolito dos Santos e Ramon Henrique Santos Fávero. Foto: @joao.paulo.barbosa.lyra

Todos receberam as placas de membros fundadores honorários do ICDT. “Nós já temos programações para reuniões mensalmente, almoços e certamente faremos o primeiro congresso ao final do ano de 2026 de nível nacional, do porte que o Espírito Santo merece”, disse o advogado tributarista, João Paulo Barbosa Lyra presidente do Instituto. O momento de lançamento da entidade foi considerado histórico por sua diretoria, que incluem o vice-presidente do ICDT, Alessandro Rostagno, a a diretora Administrativa, Priscila Martins Hyppolito dos Santos e o diretor Financeiro, Ramon Henrique Santos Fávero.

ICDT visa a ampliar conhecimento na área do direito tributário, fortalecer a formação tributária e integrar o Espírito Santo aos debates nacionais mais relevantes. “Vamos fazer o o almoço todas as últimas quintas-feiras do mês, com um professor de fora ou mesmo do Espírito Santo, para que a gente possa incentivar essa cultura do direito tributário que nós tanto falamos, que é a profissão que nós exercemos”, disse Rostagno.

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