Dados de fevereiro mostram os municípios capixabas com maior saldo positivo de empregos formais, com destaque para o setor de serviços e para presença feminina
Por Letícia Arcanjo
O Espírito Santo registrou saldo positivo de 2.846 novos empregos com carteira assinada no fim de 2026, resultado da diferença entre admissões e demissões. Com isso, o Estado passa a contabilizar 928.138 vínculos formais de trabalho, crescimento de 1,3% em comparação ao mesmo período do ano passado.
Do total de novas contratações, as mulheres representam 83,4% das vagas preenchidas, com destaque para o setor de serviços, principal responsável pela geração de empregos no período. No mês, o setor de serviços abriu 2.997 novas vagas, seguido pela agropecuária, com 130 postos, e pela indústria, que criou 100 novas oportunidades.
Os dados são da última análise divulgada do Connect Fecomércio-ES, da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo, com base nas informações do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Para o economista Vaner Corrêa, o cenário atual do mercado de trabalho capixaba indica uma transformação estrutural da economia do Estado, marcada pela consolidação do setor de serviços como principal eixo de geração de empregos e pela ampliação da participação feminina.
“Quando serviços e comércio concentram 71,8% dos vínculos formais do Estado, estamos diante de uma economia cujo motor principal já não está apenas na produção material, mas na prestação de atividades de suporte social e econômico, e esse movimento acompanha tendências nacionais e globais”, afirma.
Segundo os dados do Caged, 55,6% das vagas foram criadas fora da Grande Vitória, o que aponta para uma distribuição mais equilibrada das oportunidades.
“Quando o interior amplia sua participação na geração de empregos, o estado avança em direção a um desenvolvimento mais equilibrado, com menos concentração econômica e mais oportunidades distribuídas entre as regiões”, conclui o coordenador do Observatório do Comércio do Connect Fecomércio-ES, André Spalenza.
Segundo Vaner Corrêa, o movimento indica, uma descentralização do emprego, especialmente em cidades médias como Linhares, Colatina e Cachoeiro de Itapemirim.
“Sob uma perspectiva macroeconômica, os números indicam que o Espírito Santo vive um processo de adaptação às novas dinâmicas do capitalismo contemporâneo: uma economia mais urbanizada, terceirizada e baseada em fluxos de serviços e conhecimento”, pontua.

