Fazer acompanhamento médico, manter uma rotina de exercícios e uma dieta equilibrada estão entre as dicas
Por Jessica Coutinho
A menopausa, que aparece em mulheres de 45 a 60 anos, é marcada pela ausência de menstruação durante 12 meses, indicando o fim do período de fertilidade da mulher e consequentemente o fim da produção e liberação de óvulos. Esse processo pode ser incômodo e muito difícil para diversas mulheres, visto que junto com ele surgem diversos sintomas desconfortáveis.
Antes que o processo esteja completo, surge o chamado climatério, marcado por diversos sintomas, são eles:
- Ondas de calor ou fogachos, com episódios súbitos de sensação de calor no rosto, pescoço e na parte superior do tronco. Geralmente, vêm acompanhados de vermelhidão no rosto, suores, palpitações no coração, vertigens e cansaço muscular;
- Manifestações como dificuldade para esvaziar a bexiga, dor, perda de urina, infecções urinárias e ginecológicas, ressecamento vaginal, dor na penetração e diminuição da libido;
- Aumento da irritabilidade, instabilidade emocional, choro descontrolado, depressão, distúrbios de ansiedade, melancolia, perda da memória e insônia;
- Alterações no vigor da pele, dos cabelos e das unhas, que ficam mais finos e quebradiços;
- Alterações na distribuição da gordura corporal, que passa a se concentrar mais na região abdominal;
- Perda de massa óssea característica da osteoporose e da osteopenia;
- Risco aumentado de doenças cardiovasculares;
Cerca de 50% a 75% das mulheres apresentam ondas de calor, suores noturnos ou ambos, os chamados sintomas vasomotores, e mais de 50% apresentam sintomas geniturinários, como secura vaginal ou incontinência urinária.
O processo afeta tanto o físico quanto o psicológico. Fazer o acompanhamento com especialistas é crucial para auxiliar a mulher durante o período transicional. Mesmo com a chegada da menopausa, a mulher deve manter o acompanhamento ginecológico regular.
Além disso, durante este período, começa a desaceleração do metabolismo e a tendência ao sedentarismo, causando aumento de peso e o consequente aumento da gordura na região abdominal. De acordo com o Instituto do Sono, o aumento de 1 cm na circunferência abdominal leva ao aumento de risco de 5% do índice de apneia obstrutiva do sono.
“Na menopausa, a mulher sofre com alterações que podem afetar o sono, como ondas de calor, suores excessivos, dores no corpo, mudanças de humor e ansiedade, sensibilidade mamária, que podem causar, sim, os distúrbios do sono”, afirma a médica Jessica Polese, especialista em Medicina do Sono e presidente da Associação Brasileira de Sono (Regional ES).
As mudanças hormonais dessa fase também podem impactar diretamente na saúde e na aparência da pele. A dermatologista Karina Mazzini explica que é comum que a mulher nessa fase sinta um aumento da flacidez, ressecamento e até mesmo o aparecimento de rugas mais acentuadas. “Isso acontece porque a redução dos níveis de estrogênio diminui a produção do colágeno, que é um dos principais responsáveis pela elasticidade e firmeza da nossa pele”, relata Karina.

De acordo com a dermatologista, neste momento, além de intensificar o cuidado diário, é importante investir em procedimentos de bioestimulação de colágeno para resgatar a qualidade e beleza da pele. “É sempre bom fazer acompanhamento com o dermatologista, para que ele indique os melhores produtos e tratamentos para a mulher enfrentar bem essa nova fase”.
Além dos suores e ondas de calor, há transformações físicas e emocionais que são provocadas pela ausência dos hormônios femininos pelos ovários. De acordo com Gisele, um dos tratamentos eficazes aprovados pela Food And Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos são as preparações orais e transdérmicas de estrogênio com ou sem progestagênio.
“Antes de indicarmos o tratamento, vamos pesquisar todo o histórico da paciente, para passar uma profilaxia indicada e que não cause efeitos colaterais”, diz. A médica explica que uma outra opção é o tratamento com estradiol e que esse hormônio pode ser menos propenso a causar risco de tromboembolismo venoso em comparação com o estrogênio oral”, afirma.
Já a cirurgiã-dentista Marlei Bonella diz que muitas mudanças podem ocorrer com a saúde bucal das mulheres a partir da menopausa. A gengiva pode ficar avermelhada, a boca seca e o paladar alterado. Além disso, a osteoporose, comum nesse período, pode alterar a densidade óssea no maxilar e levar, se não tratada, à perda de dentes.
“A xerostomia – sensação de boca seca causada pela queda do estrogênio – também pode ocorrer. Outro ponto é a gengiva estomatite menopáusica, que faz a gengiva ficar pálida, seca ou muito vermelha, e pode até sangrar”, diz a cirurgiã-dentista.
“O cuidado na alimentação é importante e consumir leite, queijo, iogurte, sardinha, salmão, couve, brócolis, espinafre, enriquecidos com cálcio, e procurar um tratamento multidisciplinar, que integre o Periodontista, Ginecologista e Endocrinologista”, destaca a médica.
*Matéria publicada originalmente no dia 17 de outubro de 2024.

