Reestruturação tecnológica permitiu redução de 60% nas despesas operacionais e ajudou empresa brasileira do setor de saúde a avançar no mercado europeu
Por Nathanael Rodor
A busca por eficiência operacional e escalabilidade tem levado empresas do setor de saúde a reverem suas estruturas tecnológicas. Em um mercado cada vez mais orientado por dados, integração de sistemas e automação passaram a ser fatores decisivos para crescimento e competitividade. Esse movimento ganha força especialmente entre healthtechs brasileiras que buscam expandir operações para outros mercados e lidar com ambientes regulatórios mais complexos.
Nesse cenário, a Pharmanexo, especializada na integração para aquisição de medicamentos, iniciou sua expansão internacional a partir de Portugal após reformular sua arquitetura de dados e seus fluxos de integração. A mudança permitiu ampliar a capacidade operacional da empresa, que passou a suportar milhões de transações e integrar simultaneamente mais de 20 sistemas diferentes. A revisão tecnológica também reduziu o tempo de onboarding de novos clientes, que passou de mais de duas semanas para poucos dias.
Os ganhos apareceram também no desempenho financeiro da operação. Segundo a empresa, a otimização dos bancos de dados e das consultas reduziu os custos mensais de infraestrutura de R$ 30 mil para R$ 12 mil, uma queda de 60%, ao mesmo tempo em que aumentou a capacidade de processamento e estabilidade da plataforma. Com apoio da tecnologia da Globalsys, a operação passou a automatizar centenas de milhares de transações mensais mantendo controle e governança sobre os dados.
Para o CSO da Globalsys, Eduardo Glazar, a sustentação tecnológica se tornou um elemento estratégico para empresas que operam em ambientes críticos, como o setor de saúde. “Não se trata apenas de crescer, mas de crescer com consistência. Quando falamos de saúde, qualquer instabilidade pode comprometer toda a operação, por isso a arquitetura precisa ser pensada para suportar escala desde o início”, afirmou.

Segundo Glazar, um dos principais desafios enfrentados pelo setor está justamente na integração entre sistemas distintos. “A combinação de sistemas legados em tecnologias distintas, APIs mal documentadas e ausência de padronização dos sistemas… Qualquer integração ruim vira risco operacional, não só atraso técnico”, explicou.
O executivo também avalia que muitas empresas ainda cometem erros estratégicos ao tentar escalar operações digitais. “Um dos maiores erros é desenhar a arquitetura para o volume atual em vez do volume futuro e tratar sustentação como custo, quando ela é exatamente o que sustenta a escala com segurança e previsibilidade”, afirmou. A tendência é que a integração inteligente de dados se consolide como um dos principais diferenciais competitivos das healthtechs nos próximos anos.


