Imagine a nossa sociedade sem os serviços prestados pelas instituições assistenciais. Isso é o Terceiro Setor e sua diversidade de causas
Por Robson Melo
O Terceiro Setor é diverso em todas as suas dimensões. Por sua natureza, acolhe as mais variadas causas, desde as relativas à pessoa idosa até as das crianças. E, ao pensarmos em cada uma das causas, percebemos que cada qual possui muitas dimensões e focos de atuação.
Basta perguntarmos a uma criança, por exemplo, sobre suas necessidades. A resposta se amplia se a estendermos à família da criança assistida, indagando sobre o que ela precisa para dar continuidade ao que a criança demandou enquanto esteve na instituição do Terceiro Setor.
Uma criança não é apenas a criança em si. Ela não é só um corpo que precisa se movimentar, alimentar e brincar. É também influenciada pelo local onde mora, pelas oportunidades de ensino e educação a que tem acesso, e muito mais. Nesse processo de atendimento, precisamos saber se seus pais estão empregados, se têm um trabalho. Se a criança ainda está na primeira infância, é fundamental questionar se existe uma creche perto de sua casa, para que a mãe possa trabalhar tranquila, sabendo que “seu pequeno” está seguro, assistido e se alimentando, entre outras necessidades.
Da mesma forma, perguntas similares precisam ser feitas para as pessoas com mais de 60 anos. Esse público cresce constantemente e suas famílias podem ter dificuldades ou até impossibilidades de assisti-las com toda a dignidade necessária. Nesses casos, a assistência social é requerida. Mas será que os serviços públicos estão atendendo a toda essa população vulnerável? Ou, por falta de assistência ou de perguntas adequadas, elas podem, infelizmente, estar sendo colocadas à margem da vida social.
Também são muitas as perguntas relativas aos adolescentes, aos jovens e às suas famílias como um todo, que devem ser feitas. E todas as respostas precisam ser buscadas.
É assim, a partir das respostas que os cidadãos dão, que o Terceiro Setor se movimenta, porque é direito deles serem atendidos em suas diversas demandas sociais: de saúde, de educação, de trabalho e renda.
Seja buscando as respostas ou, se não houver a devida resposta do Poder Público, possibilitando, a partir dele próprio – o Terceiro Setor, a prestação do serviço diretamente, com a frequência necessária. Afinal, nem sempre o Estado está presente onde deveria.
Por fim, imagine a nossa sociedade sem os serviços prestados pelas instituições assistenciais, de promoção da educação e fortalecimento de vínculos na família e no bairro. Ou outros serviços específicos da saúde ou da defesa de direitos sociais e humanos. Da mesma forma, imagine essa parcela da população sem esportes, arte, sem expressões e eventos culturais.
Imaginou? Isso é o Terceiro Setor e sua diversidade de causas, serviços, acolhimento sem preconceitos, respeitoso e que tem na dignidade humana sua luz.
Robson Melo é presidente executivo da FUNDAES, a Federação do Terceiro Setor Capixaba


