Evento marca o lançamento da Rede Abraço Mulher; em entrevista à ES Brasil, o subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas e coordenador da Rede Abraço, Carlos Lopes, detalha a proposta
Por Thamiris Guidoni
Em um cenário em que mulheres ainda enfrentam mais barreiras para acessar apoio e políticas públicas, o Espírito Santo lança uma iniciativa que busca mudar essa lógica. A Rede Abraço Mulher será apresentada na próxima segunda-feira (30), em Vitória, com foco no acolhimento de meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade.
O evento contará com a participação da advogada e comunicadora Gabriela Prioli, que conduz a palestra magna e amplia o debate sobre protagonismo feminino, acolhimento e construção de políticas mais eficazes.
O encontro acontece às 9h30, no Palácio Anchieta. Conhecida por traduzir temas complexos de forma acessível, a comunicadora fará a palestra: “Cuidando de quem cuida: acolhimento, propósito e protagonismo feminino“.
A proposta parte de um diagnóstico claro: mulheres vivenciam o sofrimento de forma diferente e, por isso, não podem ser atendidas por modelos genéricos. Em entrevista à ES Brasil, o subsecretário de Estado de Políticas sobre Drogas e coordenador da Rede Abraço, Carlos Lopes, afirma que os serviços tradicionais foram estruturados sem considerar essas especificidades.
Segundo ele, historicamente, os modelos de acolhimento foram desenhados sob uma ótica masculina, o que acaba afastando mulheres por conta de estigmas e barreiras práticas.
“A Rede Abraço Mulher é uma evolução do Programa Rede Abraço, lançado pelo governador Renato Casagrande em 2013, e agora com esse recorte de gênero vem justamente para romper com essa lógica. A estratégia reconhece que a jornada de uma mulher com o uso de substâncias é atravessada por questões como a maternidade, a violência doméstica e o julgamento social. Oferecer um espaço exclusivo elimina o medo da perda da guarda dos filhos e o constrangimento de compartilhar traumas em ambientes mistos”, explica.
Para Lopes, o protagonismo feminino vai além da representatividade e impacta diretamente na eficácia das políticas públicas. Quando mulheres participam da formulação e execução dessas iniciativas, o olhar sobre a realidade se amplia, permitindo identificar vulnerabilidades antes invisibilizadas.
“Na Rede Abraço Mulher, o protagonismo se manifesta na escuta ativa das acolhidas, permitindo que o serviço se adapte às necessidades reais delas, e não o contrário. Também estamos falando de quebra de paradigmas: iniciativas com essa perspectiva tendem a ser menos punitivas e mais acolhedoras, substituindo a lógica do isolamento pelo fortalecimento de vínculos e pela construção de novos projetos de vida”, destaca.
Outro ponto central da estratégia é a autonomia. A recuperação do uso problemático de substâncias e comportamentos aditivos, como as apostas, segundo o coordenador, só se sustenta quando há uma base emocional e econômica sólida. Isso passa pela reconstrução da autoestima, pelo tratamento adequado de traumas e pela criação de condições reais de independência.
“A autonomia econômica é a maior proteção contra ciclos de violência e recaídas. Estratégias que unem educação profissionalizante com o entendimento das dinâmicas do mercado de trabalho atual são vitais para romper a vulnerabilidade financeira. E, claro, redes de apoio e pertencimento. A autonomia não significa estar sozinha, mas ter a liberdade de escolher seu caminho com uma rede de suporte que valide suas conquistas”, conclui.
O protagonismo feminino, nesse contexto, se consolida como um dos pilares da iniciativa, que aposta em um modelo menos punitivo e mais acolhedor, centrado no fortalecimento de vínculos e na reconstrução de trajetórias.
A Rede Abraço Mulher nasce do entendimento de que mulheres enfrentam obstáculos específicos para acessar serviços públicos e vivenciam o sofrimento de maneira distinta. Por isso, a iniciativa adota o conceito de vulnerabilidade multidimensional, ao considerar que essas experiências são frequentemente atravessadas por fatores como violência de gênero, racismo, dependência econômica e a sobrecarga da maternidade sem rede de apoio.
Lançamento da Rede Abraço Mulher

Data: segunda-feira (30)
Horário: 9h30
Local: Palácio Anchieta, Centro, Vitória (ES)
Entrada franca, sem inscrição prévia.

