A oferta variada de recursos, em diferentes linhas de crédito e instituições, garante que o Espírito Santo continue avançando rumo à sustentabilidade
Por Pedro Henrique Oliveira
Em um cenário global cada vez mais pressionado pelas emergências climáticas, a transição para uma economia sustentável deixou de ser uma escolha e passou a ser uma necessidade estratégica. Com isso, o chamado “crédito verde” tem ganhado cada vez mais espaço na economia brasileira.
No Espírito Santo, essa transformação vem ganhando força com o apoio de instituições públicas e privadas que oferecem linhas de crédito específicas para projetos sustentáveis, dando exemplo de como políticas financeiras podem impulsionar a proteção ambiental e, ao mesmo tempo, gerar renda, emprego e inovação.
Com foco em iniciativas que vão da agricultura de baixo carbono à geração de energia limpa, passando pela modernização de serviços urbanos e pela recuperação de florestas e recursos hídricos, bancos como Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo), Bandes (Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo) e BNB (Banco do Nordeste do Brasil), além das secretarias de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) e Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama), vêm ampliando o acesso ao crédito verde para diferentes segmentos.
De produtores rurais a empreendedores urbanos, pessoas físicas ou jurídicas, passando por prefeituras e cooperativas, os beneficiários dessas linhas encontram condições facilitadas para investir em práticas sustentáveis.
Restauração e preservação de florestas
Lançado em 2011, o Programa Reflorestar se tornou um dos principais responsáveis pela conservação de florestas no Espírito Santo. A iniciativa do Governo do Estado foi idealizada pela Seama, por meio do Instituto Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema), e desde 2012 passou a ser coordenado exclusivamente pela secretaria. O programa é operado pelo Bandes.
O Reflorestar atua com dois modelos de restauração: ativa e passiva. A ativa viabiliza a recuperação da floresta por meio de ações de plantio de espécies florestais e/ou da condução da regeneração. Já a passiva se baseia na regeneração natural da floresta, a partir da fiscalização e monitoramento, isolamento do fator degradador e fornecimento de incentivos para manutenção.

“Queremos tornar cada vez mais evidente que o desenvolvimento pode ser sustentável e, ao mesmo tempo, uma valiosa fonte de renda para os produtores rurais, envolvendo-os ativamente na restauração do ciclo hidrológico e na recuperação da cobertura florestal, assegurando a adoção de práticas de uso sustentável dos solos”, destaca a diretora Operacional do Bandes, Gabriela Vichi.
Todo proprietário de área rural, com prioridade para o pequeno produtor rural, que destina ou queira destinar parte de sua propriedade para fins de preservação do meio ambiente ou para práticas rurais sustentáveis, pode se cadastrar no programa.
Ações de sustentabilidade e segurança hídrica no Estado
Criado para apoiar financeiramente políticas ambientais no Espírito Santo, o Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais (Fundágua) é vinculado à Seama e viabiliza projetos em áreas estratégicas, como conservação de florestas, gestão da água e capacitação técnica.
Entre as iniciativas apoiadas está o Programa Estadual de Sustentabilidade Ambiental e Apoio aos Municípios (Proesam), que já recebeu mais de R$ 19 milhões do fundo. Outro destaque é o Programa Capixaba de Segurança Hídrica – Águas e Paisagem II, realizado em parceria com o Banco Mundial, que busca preparar o estado para enfrentar eventos climáticos extremos e melhorar a gestão hídrica.
No âmbito da ampliação da cobertura florestal, o Fundágua apoia o programa Reflorestar, sendo o Fundo sua principal fonte de recursos financeiros e o principal financiador do Programa Pagamento por Serviços Ambientais (PSA).
*Matéria publicada orginalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.

