
Ser mãe de uma pessoa com autismo é, muitas vezes, lidar com o desconhecido, buscar informação, adaptar rotinas e enfrentar preconceitos
Por Pollyana Paraguassú
A maternidade sempre carrega em si uma dimensão de entrega, mas, para muitas mulheres, ela também se torna um percurso marcado por desafios que exigem força diária, reinvenção e, acima de tudo, amor incondicional. No universo das famílias atendidas pela Associação de Amigos dos Autistas do Espírito Santo (Amaes), essa realidade ganha contornos ainda mais profundos. São mães que aprendem a decifrar silêncios, celebrar pequenas conquistas e enfrentar barreiras que vão muito além do cuidado cotidiano.
Ser mãe de uma pessoa com autismo é, muitas vezes, caminhar por trilhas que não foram previamente desenhadas. É lidar com o desconhecido, buscar informação, adaptar rotinas e enfrentar preconceitos. Mas, ao mesmo tempo, é descobrir novas formas de comunicação, de afeto e de conexão. Cada avanço, por menor que pareça aos olhos de quem observa de fora, representa uma vitória imensa dentro de casa. Essas mães desenvolvem uma sensibilidade única, capaz de enxergar o mundo sob uma perspectiva mais empática e inclusiva.
Ao longo dos anos, temos acompanhado histórias que mostram como a maternidade pode ser um motor de transformação. Muitas dessas mulheres se tornam defensoras da inclusão, multiplicadoras de informação e agentes de mudança em suas comunidades. Elas ajudam a abrir caminhos para outras famílias que estão começando essa jornada. Existe uma rede silenciosa de apoio que se forma entre elas, onde experiências são compartilhadas e forças são renovadas.
É importante reconhecer que essas mães também precisam de cuidado. Em meio a tantas responsabilidades, muitas vezes deixam de lado suas próprias necessidades. Por isso, iniciativas que acolhem, orientam e oferecem suporte emocional fazem diferença na qualidade de vida dessas famílias. Valorizar essas mulheres é também garantir que elas tenham condições de seguir desempenhando esse papel com saúde e equilíbrio.
Além de exemplos de superação, essas mães são protagonistas de histórias reais, que mostram que o amor pode ser um instrumento poderoso de transformação. Elas ensinam, todos os dias, que cada pessoa tem seu tempo, seu jeito e seu valor. E, ao fazerem isso, contribuem para uma sociedade mais humana, mais consciente e mais preparada para acolher as diferenças.
Pollyana Paraguassú é presidente da Amaes – Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo

