Por Thamiris Guidoni
A hipertensão arterial, conhecida como pressão alta, segue como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil e no Espírito Santo. Muitas vezes silenciosa, a doença pode evoluir sem sintomas e provocar complicações graves quando não diagnosticada e controlada.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), o acompanhamento regular e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para evitar o avanço da condição. O cardiologista Werther Mônico Rosa, referência técnica da pasta, explica que a hipertensão compromete especialmente as artérias de pequeno calibre, sobrecarregando o coração e todo o sistema cardiovascular.
“Uma vez que a hipertensão já tenha causado lesão nestes e em outros órgãos, dificilmente eles recuperam a função original, e o paciente passa então a ser considerado de maior risco”, afirma.
Entre as complicações mais comuns estão o Acidente Vascular Cerebral (AVC), o infarto, doenças renais e alterações na visão.
“A hipertensão arterial sistêmica tem alta correlação principalmente com o AVC, que é uma das principais causas de morte cardiovascular no Brasil e no mundo”, destaca o especialista.
Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 29,7% dos brasileiros são hipertensos. No Espírito Santo, a estimativa é de que aproximadamente 1,1 milhão de pessoas convivam com a doença. Em 2025, foram registradas 713 internações por hipertensão no SUS no estado, aumento de 17,2% em relação ao ano anterior.
Fatores como obesidade, sedentarismo e alimentação inadequada têm contribuído para o avanço da doença, inclusive entre os mais jovens.
“O impacto no crescimento da hipertensão se dá tanto pelo aumento da obesidade quanto pelo excesso de sal em alimentos industrializados”, explica Rosa.
Embora tenha forte influência genética, a hipertensão também está diretamente ligada ao estilo de vida. Tabagismo, consumo de álcool, estresse, inatividade física e ingestão elevada de sódio estão entre os principais fatores de risco.
“A redução do consumo de sal tem papel tanto para prevenção da hipertensão nas pessoas saudáveis quanto naquelas com hipertensão estabelecida”, ressalta.
A prevenção passa por medidas simples, como manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso, reduzir o estresse e garantir boas noites de sono. Para quem já recebeu o diagnóstico, o acompanhamento contínuo e a adesão ao tratamento são essenciais para evitar complicações.
O atendimento é realizado na Atenção Primária à Saúde, por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), que oferecem acompanhamento e medicação.
“O tratamento precoce é fundamental para preservar a saúde e evitar danos futuros”, conclui o cardiologista.

