
O corpo dificilmente falha em avisar. O que falha, muitas vezes, é a nossa disposição de ouvir
Por Marcio Almeida
Vivemos em uma época em que o excesso virou regra. Excesso de informação, de compromissos, de estímulos. E, no meio de tudo isso, o corpo tenta falar.
O problema é que, quase sempre, a gente não escuta.
A hipertensão arterial é um exemplo claro disso. Conhecida como uma doença silenciosa, ela raramente apresenta sintomas no início. Mas isso não significa ausência de sinais. Significa, muitas vezes, que estamos desconectados da nossa própria saúde.
Cansaço frequente, dores de cabeça, sensação de pressão, alterações no sono. O corpo envia alertas, ainda que sutis. E, ainda assim, seguimos adiando consultas, ignorando exames e tratando o autocuidado como algo secundário.
Existe uma lógica perigosa nisso tudo. A de que só devemos parar quando algo mais grave acontece.
Mas saúde não deveria ser uma resposta à urgência. Deveria ser uma construção diária.
O controle da pressão arterial passa, antes de qualquer coisa, por atenção. Atenção ao que sentimos, ao que consumimos, ao ritmo que levamos. Não é sobre viver em alerta constante, mas sobre não viver em negação.
Sendo médico, acredito que o cuidado começa pela escuta. Escutar o paciente, mas também ajudá-lo a escutar a si mesmo. Porque o corpo dificilmente falha em avisar. O que falha, muitas vezes, é a nossa disposição de ouvir.
E, quando o silêncio se prolonga demais, o preço pode ser alto.
Dr. Marcio Almeida é CEO da Bluzz Saúde

