Por Thamiris Guidoni
A morte do influenciador mineiro Henrique Maderite, aos 50 anos, reacendeu um alerta sobre sinais que podem indicar risco cardiovascular. Ele foi encontrado debilitado em seu haras, em Amarantina, distrito de Ouro Preto (MG), no dia 6 de fevereiro. Técnicas de reanimação foram realizadas por policiais, e o óbito foi constatado pelo Samu. A causa foi infarto fulminante.
O caso trouxe à tona discussões sobre sinais físicos que podem indicar risco cardíaco, após algumas publicações nas redes sociais apontarem o “sinal de Frank” em alguma das fotos do influenciador. O sinal é um vinco diagonal no lóbulo da orelha, e o sinal antero-tragal, uma ruga vertical anterior à traga, que segundo essas postagens, pode indicar maior chance de placas de gordura nas artérias.
Para entender melhor o caso, a revista ES Brasil conversou com o médico cardiologista Dr. Melchior Luiz Lima. Ele explica que esses sinais não são diagnósticos definitivos e ressalta que a análise deve ser feita com cautela, por não ser considerado um marcador diagnóstico consolidado e nem fazer parte de diretrizes formais de cardiologia como critério de rastreamento ou diagnóstico.
Segundo o especialista, estudos observacionais até apontam correlação entre o vinco no lóbulo da orelha e aterosclerose, mas sem comprovação de causalidade. “Do ponto de vista científico, ele deve ser entendido como um achado clínico observacional, possivelmente relacionado ao envelhecimento vascular, e não como um marcador independente ou definitivo de risco cardiovascular”, explicou
Por isso, dr. Melchior explica que a presença isolada do sinal de Frank não justifica, por si só, uma investigação cardiológica aprofundada ou a solicitação de exames complexos, mas pode funcionar como um sinal de alerta adicional, especialmente quando: surge precocemente; é profundo e bem definido; aparece em indivíduos aparentemente assintomáticos ou está presente em pessoas com histórico familiar importante. “Nesses casos, a conduta correta é avaliar o risco cardiovascular global, e não o sinal isoladamente”, alertou o cardiologista.
De acordo com ele, a indicação de exames deve ser individualizada, baseada no perfil clínico do paciente. “Em geral, começa-se com avaliação clínica e exame físico, exames laboratoriais como colesterol e glicemia, e eletrocardiograma. Exames como ecocardiograma, teste ergométrico, ultrassom de carótidas ou tomografia das coronárias não são indicados automaticamente pela presença do vinco, mas apenas quando o risco global ou os sintomas justificam”.
Para isso, os sinais devem ser analisados junto aos fatores de risco clássicos. Sinais físicos como o sinal de Frank só ganham relevância clínica quando interpretados em conjunto com fatores de risco bem estabelecidos e amplamente validados pela ciência, como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, obesidade, sedentarismo e histórico familiar de infarto ou AVC. Quando esses fatores estão presentes, o vinco na orelha pode reforçar a necessidade de atenção preventiva, mas nunca substitui a avaliação clínica estruturada”.
Observação preventiva
Com a repercussão do caso nas redes sociais, a Capitã do Corpo de Bombeiros do Espírito Santo, Carla Andresa, fez uma publicação chamando atenção para o sinal e destacou a possível relação do vinco a problemas cardíacos.
“Sinais físicos isolados não confirmam doença cardíaca, mas podem indicar necessidade de investigação, principalmente em pessoas com fatores de risco como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, obesidade ou histórico familiar”, disse ela. Assista:
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