À ES Brasil, o cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima afirma que, apesar dos avanços, a cirurgia robótica amplia a precisão, mas ainda exige critérios rigorosos e não elimina riscos
Por Thamiris Guidoni
Com o uso da plataforma robótica Da Vinci Xi, o método permite maior precisão nos movimentos e melhor visualização das estruturas do coração, por meio de pequenas incisões. A proposta é reduzir o impacto cirúrgico e acelerar a recuperação dos pacientes.
Em entrevista à ES Brasil, o cirurgião cardiovascular Melchior Luiz Lima, coordenador da cirurgia, pondera que, apesar dos avanços, o procedimento não elimina os riscos inerentes a esse tipo de intervenção.
“A cirurgia cardíaca robótica apresenta os riscos próprios de qualquer cirurgia cardíaca, como sangramento, infecção, arritmias e outras complicações inerentes a procedimentos de alta complexidade. Como particularidades da técnica, existem a necessidade de equipe altamente treinada, criteriosa seleção dos casos e, eventualmente, a possibilidade de conversão para a cirurgia convencional, caso isso represente maior segurança ao paciente.”
Ele explica ainda que a adoção da técnica exige critérios rigorosos na escolha dos pacientes.
“A definição será feita a partir de avaliação médica individualizada, com análise clínica, anatômica e funcional de cada paciente. Serão priorizados os casos em que a abordagem robótica ofereça benefício concreto, com segurança, eficácia e potencial de recuperação mais rápida, sempre respeitando critérios técnicos rigorosos.”
Técnica amplia precisão, mas exige critérios rigorosos
O procedimento realizado foi uma plastia valvar, indicada para corrigir alterações nas válvulas do coração preservando a estrutura do próprio paciente. Na cirurgia robótica, o cirurgião atua a partir de um console, controlando braços mecânicos com alta precisão e visão tridimensional ampliada, enquanto uma equipe acompanha a operação à beira do campo cirúrgico.
Segundo o cirurgião cardiovascular Heber Souza, responsável pela operação, a tecnologia contribui para reduzir o impacto no organismo.
“A cirurgia robótica amplia nossa capacidade de precisão e reduz a agressão ao organismo. Isso significa menor tempo de internação, menor risco de complicações e retorno mais breve às atividades habituais”, afirma.
Apesar do avanço, especialistas destacam que a técnica não substitui completamente os métodos tradicionais e deve ser indicada de forma criteriosa. Isso porque cirurgias cardíacas continuam entre os procedimentos mais complexos da medicina, exigindo estrutura adequada, equipe especializada e monitoramento rigoroso.
O uso da robótica ocorre em um cenário em que as doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte no país. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de 400 mil brasileiros morrem por ano em decorrência dessas condições.
A implementação da técnica no Estado envolveu treinamento específico da equipe, adaptação do centro cirúrgico e definição de protocolos de segurança. A expectativa é que, com o tempo, o procedimento seja incorporado de forma gradual, conforme a avaliação de cada caso.

