Campanha alerta para o ceratocone, condição que pode evoluir de forma discreta e comprometer a visão, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da atenção aos primeiros sintomas
Por Thamiris Guidoni
No mês de junho, a campanha “Junho Violeta” reforça a conscientização sobre o ceratocone, uma doença ocular que provoca alterações progressivas na córnea e pode comprometer seriamente a visão. Entre os principais sintomas estão visão embaçada ou distorcida, dificuldade para enxergar à noite, sensibilidade à luz e a percepção de halos, aqueles anéis luminosos ao redor de fontes de luz.
Apesar de ser considerada uma condição rara, o problema atinge cerca de 150 mil brasileiros por ano, segundo o Ministério da Saúde, afetando principalmente pessoas com menos de 30 anos.
O que acontece no olho
O ceratocone é caracterizado pelo afinamento e deformação da córnea. Com a progressão da doença, a parte central da estrutura vai perdendo espessura e se projeta para frente, assumindo um formato de cone. Essa alteração compromete diretamente a forma como a luz é direcionada para a retina, prejudicando a formação da imagem.
Sinais de alerta que merecem atenção
Segundo o oftalmologista do Hospital de Olhos Vitória, Lucas Emery, a falta de informação ainda faz com que muitos pacientes recebam o diagnóstico em estágios mais avançados.
“Os sintomas costumam surgir de forma gradual e incluem visão embaçada, aumento frequente do grau dos óculos, astigmatismo irregular, sensibilidade à luz e dificuldade para enxergar à noite”.
O especialista também chama atenção para fatores que podem acelerar a progressão da doença.
“Além de fatores genéticos, o hábito frequente de coçar os olhos, especialmente em pessoas que sofrem com alergias oculares, está diretamente associado ao avanço da doença”, explica.
Emery destaca ainda que o ceratocone costuma evoluir de forma silenciosa, o que dificulta o diagnóstico precoce.
“O ceratocone geralmente aparece na adolescência ou no início da vida adulta e pode evoluir de forma silenciosa. Muitas vezes o paciente acredita que está apenas enfrentando mudanças comuns no grau dos óculos, quando na verdade a córnea já está sofrendo alterações estruturais. Por isso, consultas oftalmológicas regulares são essenciais para identificar a doença precoce”, explica.
Tratamentos variam conforme o estágio
O tratamento do ceratocone depende do grau de evolução da doença. Em fases iniciais, pode ser feito com óculos ou lentes de contato especiais. Já em casos mais avançados, quando há deformação significativa ou cicatrizes na córnea, pode ser necessário procedimento cirúrgico ou até transplante de córnea.
Para o especialista, campanhas como o “Junho Violeta” são fundamentais para ampliar o conhecimento sobre a doença e incentivar o diagnóstico precoce.
“Muitas pessoas convivem com sintomas sem procurar avaliação especializada. A campanha neste mês é uma oportunidade importante para levar informação à população e mostrar que o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença na preservação da visão e na qualidade de vida dos pacientes”, conclui.

