Tecnologia desenvolvida pela mineradora reforça protagonismo do Espírito Santo na produção de matérias-primas para uma siderurgia de menor carbono
Por Angela Beserra
A necessidade de reduzir as emissões da indústria do aço tem acelerado o desenvolvimento de novas tecnologias para tornar a produção siderúrgica menos intensiva em carbono. Nesse movimento, empresas de mineração passaram a investir em matérias-primas capazes de diminuir o impacto ambiental dos processos industriais, ao mesmo tempo em que atendem às novas exigências de mercados internacionais. No Espírito Santo, a Vale aposta na produção de briquetes de minério de ferro como uma das principais alternativas para apoiar essa transição.
A pressão climática internacional já influencia decisões estratégicas. Segundo Vivian Macknight, gerente geral de Mudanças Climáticas da Vale, o briquete de minério de ferro passou a ocupar papel central na estratégia da companhia para apoiar a redução de emissões da siderurgia global.
“A Vale busca apoiar a transição da siderurgia para rotas de menor emissão de carbono, combinando inovação, escala industrial e parcerias com clientes em diferentes mercados”, afirma.
De acordo com a companhia, o briquete possui maior teor metálico e pode reduzir em até 10% as emissões de dióxido de carbono, ao eliminar a etapa de sinterização nos altos-fornos tradicionais. Vivian diz que o produto também pode ser utilizado em rotas de redução direta, consideradas estratégicas para o avanço da produção de aço com menos emissão, principalmente em cenários futuros ligados ao hidrogênio verde.
O Espírito Santo ocupa posição central nesse plano. A unidade de Tubarão abriga o maior complexo pelotizador do mundo. Em 2025, a produção de pelotas da Vale alcançou 31 milhões de toneladas.
“A implantação da primeira planta de briquetes reforça esse protagonismo e consolida o estado como polo estratégico para o desenvolvimento de soluções que combinam escala, competitividade, inovação e redução de emissões”, diz Vivian.
A executiva frisa que mercados da Europa e da Ásia já ampliaram a pressão por matérias-primas de menor intensidade de carbono, impulsionados por metas climáticas e novas regulações internacionais.
“A agenda de descarbonização começa a mudar a forma como a cadeia do aço se organiza comercialmente. O mercado vem dando mais peso à qualidade das matérias-primas e ao potencial de redução de emissões nos processos industriais”, destaca.
Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

