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Financiamento de imóveis pela poupança cresce 51,5%

Os financiamentos de imóveis alcançam R$ 17,17 bilhões em maio de 2026, apesar de desafios no crédito

Por Amanda Amaral 

Os financiamentos imobiliários estão crescendo em 2026, apesar de o saldo acumulado ainda seja negativo. Com isso, a captação de recursos financeiros para sustentar o ciclo de crédito e desenvolvimento do setor ainda é um desafio. 

Em maio de 2026, os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do de poupança somaram R$ 17,17 bilhões. De acordo com a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), foi o segundo melhor resultado para um mês de maio na série histórica. Na comparação com abril, houve um leve avanço de 1,1%, segundo a Associação, qu destacou que na comparação com maio do ano passado, a alta foi de 51,5%. 

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Para Ricardo Gava, diretor da Gava Crédito Imobiliário e diretor da Associação e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário do Espírito Santo (Ademi Secovi ES), o aumento das concessões também reflete medidas que deram mais fôlego ao crédito imobiliário, como mudanças no depósito compulsório, maior utilização de recursos livres e programas voltados à habitação. 


São iniciativas importantes, mas ainda paliativas, segundo ele. “Até poucos meses atrás, a preocupação era se haveria recursos suficientes para financiar imóveis. Hoje esse cenário começa a mudar. Os bancos voltaram a conceder mais crédito, mas o grande desafio continua sendo o poder de compra das famílias, ainda pressionado pelos juros elevados”, disse Gava. 

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Apesar da retomada das concessões, o empresário destaca que o aumento do crédito não significa aprovação automática. “Existe mais dinheiro disponível para financiar imóveis, mas a análise de crédito continua criteriosa.” 

Gava destaca que, no acumulado dos últimos 12 meses, o volume financiado e o número de imóveis financiados permanecem abaixo do período anterior, refletindo os efeitos do ciclo de juros elevados. “Um mesmo cliente pode ter respostas diferentes entre os bancos. Estar bem assessorado ajuda a identificar onde aquela operação tem maior viabilidade e, muitas vezes, transforma uma negativa em uma aprovação.” 

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ES Brasil  (1)
Ricardo Gava é diretor na Ademi Secovi ES. Foto: divulgação

A expectativa do setor é de continuidade da recuperação ao longo de 2026, impulsionada pela melhora gradual do funding e pela perspectiva de redução da Selic. “Quem consegue comprar hoje não fica preso às condições atuais. Se os juros caírem, a portabilidade pode reduzir o custo do financiamento. Já o imóvel, enquanto isso, tende a se valorizar e dificilmente volta ao preço atual.”

Para o economista e presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão, o crédito imobiliário possui efeito multiplicador importante. “Além de facilitar o acesso à moradia, ele impulsiona a construção civil, gera emprego, movimenta diversos segmentos da indústria de materiais de construção, comércios e serviços, contribuindo para o crescimento da atividade econômica. A cadeia é enorme”, pontua. 

Ricardo Paixão
Ricardo Paixão é presidente do Corecon-ES. Foto: divulgação

Paixão explica que um conjunto de fatores são fundamentais para continuidade do crescimento na concessão de crédito imobiliário. Além da redução gradual da inflação, o que permite que os juros também possam cair de forma sustentável, o economista também destaca a manutenção da geração de emprego e o aumento da renda familiar. 

Dentre os fatores, ele cita: “A preservação das principais fontes de financiamento imobiliário, especialmente a poupança e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço; a continuidade de políticas públicas de habitação que ampliem o acesso ao crédito para as famílias de menor renda; segurança jurídica e estabilidade regulatória no mercado imobiliário, aumentando a confiança de bancos, investidores e compradores; e a expansão da oferta de imóveis compatíveis com a capacidade de pagamento das famílias”. 

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