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Complexo de Ubu concilia metas de baixo carbono com plano de retomada

Orçamento de R$ 3,5 bilhões para modernizar usinas paradas divide espaço com testes de combustíveis menos poluentes

Por Amanda Amaral

A preparação do Complexo de Ubu, em Anchieta, para atingir a capacidade total de produção até 2028 coloca a Samarco diante do desafio de conciliar o aumento do volume operacional com metas rígidas de controle ambiental. 

O ponto central dessa transição está concentrado nos fornos de pelotização, instalações que exigem alto cnsumo térmico e que hoje passam por testes para a substituição gradual de combustíveis fósseis, como o coque e o carvão mineral, por opções renováveis, incluindo o bio-óleo e a moinha de carvão vegetal. 

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Na entrevista, Alysson Werneck, gerente-geral de Operações do Complexo de Ubu, da Samarco, fala sobre o planejamento da empresa. “A Samarco segue um planejamento de retomada gradual das suas operações de forma responsável e segura. No Complexo de Ubu, para a retomada de 100% da nossa capacidade produtiva instalada, serão investidos cerca de R$ 3,5 bilhões para modernizar as duas usinas que estão paradas atualmente”, disse. 

A retomada total da companhia vai movimentar ainda o mercado de trabalho na região de Anchieta, Piúma e Guarapari, o que leva a contratações e capacitações de mão de obra local. “Com o objetivo de preparar a força de trabalho para as novas vagas do Momento 3, a Samarco vem oferecendo, desde 2025, capacitações gratuitas para moradores da região, em áreas como mecânica, automação, instrumentação industrial, eletrotécnica, eletromecânica, dentre outros”, disse Werneck.

Na entrevista, gerente-geral de Operações do Complexo de Ubu detalha ainda os indicadores da empresa, os investimentos estruturais, os cronogramas de contratação de mão de obra e os limites técnicos que moldam o dia a dia da operação na unidade capixaba.

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Qual é a maior complexidade de traduzir a estratégia ESG da Samarco no dia a dia da operação em Ubu?

O desafio está em garantir que a estratégia ESG permeie todas as camadas do Complexo de Ubu, das usinas de pelotização ao terminal marítimo, passando pelo pátio de estocagem e pela cadeia de fornecedores e estamos avançando com resultados concretos.

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Nas usinas, o principal desafio é a descarbonização dos fornos de pelotização, onde a transição de combustíveis fósseis para renováveis ocorre de forma gradual e técnica. A substituição parcial por bio-óleo e moinha de carvão vegetal, combinada ao uso de gás natural como combustível de transição, já resultou em uma redução de 44% nas emissões de Gás de Efeito Estufa (GEE) em relação a 2015. Cada avanço precisa ser validado em termos de eficiência térmica e qualidade das pelotas, o que impõe um ritmo criterioso à inovação.

Além disso, a unidade capixaba reutiliza 100% da água industrial e aproveita resíduos da lavra de mármore na produção de pelotas, o que reduz a extração de recursos naturais.

No terminal marítimo, a estratégia ESG começa antes da atracação: a exclusão de navios com classificação energética “E” na escala da Organização Marítima Internacional (IMO) e a antecipação das manobras reduzem emissões indiretas, o que demanda planejamento logístico de precisão. O porto também viabiliza a importação de insumos como calcário de alto teor de óxido de cálcio (CaO) e coque verde, que ampliam a eficiência térmica nas usinas.

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Foto: Herick Andrade-Rede / Samarco

O uso da moinha de carvão vegetal nos fornos rendeu uma Patente Verde à empresa. Como foi o processo de transição técnica em Ubu para absorver essa inovação e reduzir as emissões sem perder eficiência térmica?

O projeto Método de Produção de Pelotas de Minério de Ferro, tecnologia que obteve deferimento da Patente Verde em março deste ano, partiu de testes laboratoriais para validar a viabilidade técnica da substituição parcial de combustíveis fósseis (coque e carvão mineral) pela moinha de carvão vegetal, coproduto de biomassa de eucalipto.

A aplicação industrial teve início em 2023 na Unidade de Ubu, em Anchieta, com operação contínua a partir de 2024. Em 2025, a tecnologia já estava implementada nas duas usinas pelotizadoras, alcançando cerca de 15% de substituição de fósseis e uma redução média de 4,41 kg de CO₂ por tonelada de pelota produzida, resultado que contribui diretamente para a agenda de descarbonização da empresa.

O reconhecimento pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), por meio da Patente Verde, validou tanto o caráter inovador da solução quanto seus ganhos ambientais, consolidando a tecnologia como referência.

A unidade tem testado o bio-óleo como alternativa ao gás natural. Qual o estágio atual desses testes e quão perto Ubu está de consolidar essa matriz energética 100% renovável?

O bio-óleo integra uma estratégia mais ampla de transição energética nos fornos de pelotização do Complexo de Ubu, onde a Samarco vem implementando gradualmente combustíveis alternativos para reduzir as emissões diretas de Escopo 1 (emissões diretas da própria empresa). Além do bio-óleo e da moinha de carvão vegetal, essa estratégia inclui a ampliação do uso de gás natural como combustível de transição.

Os testes com bio-óleo estão em fase de implementação gradual nos fornos. A abordagem da empresa é criteriosa e cada etapa é validada em termos de desempenho térmico e qualidade das pelotas antes de avançar. Esse conjunto de iniciativas já produziu resultados concretos: uma redução de 44% nas emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) em 2025 em relação a 2015.

A meta de uma matriz 100% renovável em Ubu está andamento. Atualmente, toda a energia elétrica consumida nas operações provém de fontes renováveis, o que zerou as emissões indiretas associadas à energia comprada. A meta corporativa é reduzir 30% das emissões líquidas de GEE até 2032, como etapa para o Net Zero em 2050.

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Foto: Divulgação Samarco

Com o plano de retomada total, a circulação de navios e a movimentação de carga vão aumentar na costa capixaba. Como a gerência está preparando a operação portuária para esse momento, garantindo que o vaivém dos navios respeite o ecossistema marinho e as atividades das comunidades pesqueiras locais?

A Samarco está fortalecendo seus processos de gestão portuária, incluindo o sistema de vetting, que realiza avaliações rigorosas de riscos ambientais, operacionais e regulatórios das embarcações que acessam o terminal. Esse processo permite maior controle e segurança das operações marítimas, contribuindo para a prevenção de incidentes e para a proteção do ecossistema marinho da região.

Além disso, a empresa acompanha de forma permanente a dinâmica portuária e as oportunidades de desenvolvimento do setor no Espírito Santo, sempre considerando os requisitos regulatórios, as condicionantes ambientais e a vocação operacional do terminal. A atuação da Samarco busca conciliar eficiência logística com respeito às atividades econômicas locais, incluindo as comunidades pesqueiras, por meio de uma operação planejada, monitorada e conduzida de forma responsável.

Alcançar quase 100% de recirculação de água é um marco expressivo. Tecnicamente, como blindar o processo industrial contra desperdícios para manter esse índice no topo à medida que a produção aumenta?

A Samarco opera um sistema integrado de captação, uso e recirculação que permite manter índices elevados mesmo com o aumento da produção. Hoje, a taxa global de recirculação é de 87,70%, com destaque para a unidade de Ubu (ES), onde o índice chega a 100% graças ao balanço hídrico positivo. A água, que vai junto com o minério pelo mineroduto, é separada no processo e retorna ao sistema, eliminando a necessidade de novas captações. Em Germano (MG), a recirculação é de aproximadamente 84%.

Blindar o processo contra desperdícios exige uma combinação de tecnologia, governança e engenharia. A Samarco utiliza modelagem hidrogeológica para antecipar o comportamento de aquíferos e águas superficiais, além de sistemas avançados de monitoramento contínuo, que rastreiam indicadores em tempo real e asseguram o cumprimento rigoroso das outorgas. A operação é suportada por softwares especializados que garantem rastreabilidade e controle de cada etapa do ciclo da água.

Como a retomada total da companhia a partir de 2028 vai movimentar o mercado de trabalho na região de Anchieta, Piúma e Guarapari? Como a gerência-geral de Ubu está estruturando a contratação e a capacitação de mão de obra local visando a inclusão social?

Com o objetivo de preparar a força de trabalho para as novas vagas do Momento 3, a Samarco vem oferecendo, desde 2025, capacitações gratuitas para moradores de Anchieta, Guarapari e Piúma, em áreas como mecânica, automação, instrumentação industrial, eletrotécnica, eletromecânica, dentre outros. No ano passado, foram iniciadas 23 turmas, com 635 participantes. E em 2026, são 11 turmas, com 230 vagas ofertadas. Todos os cursos são gratuitos, exigindo idade mínima de 18 anos e residência em um dos três municípios.

Além disso, oferecemos cursos de desenvolvimento e qualificação para empreendedores dos municípios próximos ao Complexo de Ubu, por meio do Força Local.

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Foto: Arthur Crespo / Panda

O complexo de Ubu investe diretamente em infraestrutura comunitária, escolas e hospitais na região de Anchieta e Guarapari. Como garantir que essas entregas gerem autonomia para as comunidades?

A Samarco tem atuado de forma cada vez mais próxima em seus territórios. A estratégia social da empresa combina qualificação profissional, estímulo ao empreendedorismo, inclusão produtiva e inovação social, com programas que já demonstram resultados. Em 2025, o projeto Caminhos Samarco, por exemplo, levou oficinas de robótica, inteligência artificial e uso de aplicativos em 21 comunidades do Espírito Santo, ampliando competências digitais essenciais para novas oportunidades de trabalho. Já o Estação Samarco ofereceu cursos gratuitos em parceria com o Senac-ES, em dez municípios, com foco em empreendedorismo e geração de renda.

A Feira da Gente também fortalece a economia comunitária ao criar um canal permanente de comercialização para pequenos produtores. Em 2025, o projeto ultrapassou os limites da empresa e passou a realizar edições abertas ao público, beneficiando 112 empreendedores de 13 comunidades de Anchieta e Guarapari.

O programa Força Local, entre novembro de 2020 e março de 2026, alcançou resultados expressivos no Espírito Santo, com R$ 1,3 bilhão desembolsado pela Samarco e suas contratadas, beneficiando mais de 1.700 fornecedores locais. No período, foram ofertadas 190 vagas em cursos de capacitação profissional, além da certificação de 300 empresas. Ao todo, mais de 5 mil pessoas foram impactadas pelo Força Local.

Ao combinar investimento econômico, formação profissional, estímulo ao empreendedorismo e inovação social, a Samarco busca garantir que as entregas realizadas no território se traduzam em autonomia, ampliando a capacidade das comunidades de gerar renda, fortalecer seus próprios negócios e construir soluções sustentáveis para o futuro.

Com relação ao plano de retomada total, qual é o principal desafio operacional nos próximos meses para preparar a planta de Ubu para esse salto produtivo de forma limpa?

A Samarco segue um planejamento de retomada gradual das suas operações de forma responsável e segura. No Complexo de Ubu, para a retomada de 100% da nossa capacidade produtiva instalada, serão investidos cerca de R$ 3,5 bilhões para modernizar as duas usinas que estão paradas atualmente.

Há também um fator estratégico: as pelotas da Samarco, especialmente as de redução direta, emitem menos gases de efeito estufa. Preparar Ubu para a retomada total de forma sustentável também é uma exigência competitiva em um mercado que cobra rastreabilidade e baixo carbono.

Esse avanço ocorre em um cenário de resultados já concretos: em 2025, a Samarco manteve 100% de energia elétrica renovável, alcançou 87,7% de recirculação global de água e avançou na redução de emissões. O desafio agora é consolidar a transição energética dos fornos e preparar o terminal para operar com mais volume, sem renunciar à segurança, previsibilidade e sustentabilidade.

Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

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