
Espírito Santo amplia uso de água de reúso com projeto da Cesan e parcerias para garantir abastecimento e sustentabilidade ambiental
Por Munir Abud
As mudanças climáticas deixaram de ser uma preocupação futura para se tornarem um desafio presente. Secas mais severas, eventos extremos e pressão crescente sobre os mananciais impõem ao setor de saneamento uma missão cada vez mais complexa: garantir água em quantidade e qualidade para as próximas gerações.
Nesse cenário, ganha força um conceito essencial para o futuro das cidades: a resiliência hídrica, capacidade de uma sociedade se preparar e responder aos impactos climáticos sem comprometer o abastecimento da população, o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental.
O Espírito Santo entendeu esse desafio antes que ele se tornasse uma emergência. Hoje, o estado vive um dos maiores ciclos de investimentos em saneamento da história, com projetos estruturantes que ampliam a oferta de água e tornam o sistema mais preparado para enfrentar períodos críticos.
É dentro dessa visão estratégica que a água de reúso ganha protagonismo. Durante décadas, o esgoto tratado foi visto apenas como um passivo ambiental. Agora, passa a ser compreendido como uma nova fonte de água capaz de atender demandas industriais, reduzir pressão sobre rios e preservar água potável para consumo humano.
No Espírito Santo, esse conceito já está saindo do papel. A Cesan (Companhia Espírito-santense de Saneamento), em parceria com a ArcelorMittal, está implantando a Estação de Produção de Água de Reúso (EPAR), na Serra. O projeto transformará esgoto tratado em água de alta qualidade para uso industrial, com capacidade de produção de 300 litros por segundo.
Na prática, isso significa que milhões de litros de água potável deixarão de ser utilizados em processos industriais e poderão ser destinados ao abastecimento da população. É uma mudança importante de mentalidade: enxergar o saneamento não apenas como infraestrutura, mas como ferramenta de sustentabilidade, inovação e desenvolvimento. Também foi firmada uma parceria estratégica com a Vale para o fornecimento de água de reúso, prevista para o início de 2027.
O reúso representa eficiência ambiental, mas também inteligência econômica. Em um cenário global de escassez hídrica crescente, regiões que diversificam suas fontes de abastecimento estarão mais preparadas para garantir crescimento, competitividade e qualidade de vida.
Essa transformação acontece junto a outros investimentos estratégicos do Espírito Santo, como a construção da Barragem dos Imigrantes, no Rio Jucu, e a implantação da futura usina de dessalinização em Guarapari, que será uma das maiores do Brasil.
Estamos construindo hoje as soluções que garantirão o abastecimento das próximas décadas. O saneamento moderno exige planejamento de longo prazo, inovação e coragem para investir em soluções que, até pouco tempo, pareciam distantes da realidade brasileira. O reúso de água é uma dessas soluções. Mais do que uma alternativa técnica, ele simboliza uma nova forma de enxergar os recursos hídricos: com responsabilidade, eficiência e visão de futuro.
Munir Abud é presidente da Cesan (Companhia Espírito-santense de Saneamento)
Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

