Alta da pelotização e retomada da Samarco impulsionam resultados do setor de mineração capixaba, mesmo com pressão na siderurgia
Por Rodolpho Paixão
O setor de mineração e siderurgia capixaba tem apresentado uma evolução sólida, que ganhou ritmo com a aceleração da produção da Samarco, em Anchieta, no sul do estado, e pela demanda interna.
Em 2025, a indústria extrativa teve alta de 3,4% de janeiro a junho em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada pela atividade de pelotização de minério de ferro, que registrou uma elevação de 11,1% no semestre – e dá sinais de que deve encerrar este ano também com avanços. Os dados são do Indicador de Atividade Econômica da Federação das Indústrias do Espírito Santo (IAE-Findes).
A pelotização de minério de ferro ganhou ritmo com a expansão da capacidade produtiva da Samarco, que tem retomado gradualmente as atividades nos últimos cinco anos. De janeiro a setembro de 2025, produziu 11,2 milhões de toneladas de finos e pelotas de minério de ferro, patamar 64% superior ao registrado no mesmo período de 2024.
“Esses resultados confirmam que o nosso ramp-up (alcance gradual) foi bem-sucedido. Alcançamos uma produção recorde de pelotas e finos de minério de ferro com práticas sustentáveis, mantendo nossa função social e cumprindo o que estava previsto no plano de negócios”, afirmou o diretor de Estratégia, Financeiro e Suprimentos da Samarco, Gustavo Selayzim.
A expectativa da Samarco é retomar 100% da capacidade produtiva até 2028, com investimento de R$ 13 bilhões, incluindo a reativação das usinas de pelotização 1 e 2, em Anchieta.
A Vale também registrou incremento na produção, com alcance de um recorde no 3º trimestre deste ano. Foi o maior nível de julho a setembro desde 2018, com 94,4 milhões de toneladas.
Enquanto isso, a metalurgia avançou apoiada na demanda doméstica por aço, estimulada por setores consumidores como automotivo, construção e bens de capital.
Fornecimento para siderúrgicas
A produção das mineradoras mostra continuidade do crescimento no volume de minério de ferro, evidenciando recuperação operacional e ganhos de eficiência, tanto na produção quanto na cadeia de pelotização. O avanço contribui para maior estabilidade no fornecimento às siderúrgicas e para ampliação das exportações capixabas.
Ainda assim, o ambiente para a siderurgia nacional é desafiador. Em 2025, segundo a ArcelorMittal, o setor deve registrar queda de 0,8% na produção brasileira, enquanto as importações de laminados sobem 32,2%, pressionadas pela concorrência de aço subsidiado, especialmente o chinês.
A empresa alerta que a recuperação sustentável depende de medidas robustas de defesa comercial, como hard quotas (limite na importação) e ações anti-dumping (taxação sobre preços desleais) sem as quais parte dos R$ 10 bilhões em investimentos planejados pode ser reavaliada.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil 231 – Retrospectiva 2025. Leia a edição completa aqui.

