Novo Atlas Portuário da Findes detalha infraestrutura capixaba, além de planos de ampliação e novos portos no Estado
Por Amanda Amaral
O Espírito Santo é responsável pela quarta maior movimentação portuária do Brasil e até 2031 deve receber R$ 6,4 bilhões em investimentos em novos terminais e na ampliação da infraestrutura existente. Atualmente, o Estado levanta perspectivas para se tornar um hub logístico nacional, com novos projetos portuários, que devem ampliar a movimentação de cargas e a conexão com os principais mercados.
Somente em 2025, foram movimentados, no Espírito Santo, 137,5 milhões de toneladas, crescimento de 13% na comparação com 2024, o dobro da média nacional. Os dados são do Atlas Portuário do Espírito Santo, lançado na última terça-feira (16) pela Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), durante a Modal Expo, no Pavilhão de Carapina, Serra.
Em 2025, o ES exportou para mais de 170 países e alcançou US$ 24,3 bilhões em corrente de comércio, conforme o Atlas. No período, cerca de 67% do volume movimentado teve como origem/destino outros estados brasileiros, com destaque para Minas Gerais, Bahia e Goiás.
Principais cargas
Considerando o histórico capixaba de abrigar portos especializados em determinados perfis de cargas, o Estado apresenta a movimentação de uma alta concentração de granéis sólidos (85,0%), segundo dados do Atlas Portuário.
Esse predomínio está diretamente relacionado à presença de grandes plantas de pelotização de minério de ferro voltadas à exportação. Na sequência, o Atlas mostra que a carga geral representa 11,5% do total movimentado, o que inclui a celulose oriunda da Suzano.
Atualmente, o Espírito Santo lidera a movimentação de minério de ferro pelotizado e de ferro e aço, e ocupa a segunda posição no escoamento de pasta de celulose. O Estado também se destaca como principal ponto de entrada de carvão mineral no país.
Hub logístico
O Atlas também destaca os investimentos em curso no Estado – como o Porto da Imetame, em Aracruz, e o Porto Central, em Presidente Kennedy, que receberão navios de grande porte, o que não ocorre hoje no Estado, e serão multipropósito, o que permite diversificação de cargas. No momento, somente o Porto de Vitória é multipropósito.
“Para os próximos anos, o setor portuário capixaba deve ampliar seu protagonismo, impulsionado por cerca de R$ 6,4 bilhões em investimentos previstos em novos terminais e na expansão da infraestrutura existente. Considerando os 4 modais de transporte, cujos investimentos somam R$ 28,4 bilhões, os investimentos portuários representam 22,0% do total”, afirma o presidente da Findes, Paulo Baraona.
O Porto da Imetame e o Central são considerados ativos logísticos para os projetos do Governo do Estado: ParkLog Espírito Santo, no Norte do Estado; e do ParkLog Sul Capixaba, na Região Sul. Ambos são complexos industriais que visam a integrar infraestrutura portuária, ferroviária, rodoviária e aeroviária.
O Atlas Portuário é a primeira de uma série de quatro publicações da Findes que integram o Atlas da Infraestrutura lançado, em maio deste ano, como uma plataforma on-line que analisa, de forma integrada, todos os modais.

“A publicação será um guia para a tomada de decisão de investidores, apresentando estatísticas sobre a movimentação de cargas e a conectividade dos portos capixabas com as redes ferroviária e rodoviária. Além das especificações físicas dos terminais, os textos abordam o contexto histórico e os marcos regulatórios que sustentam o crescimento do sistema portuário nacional”, apontou Baraona.

