Renovação da concessão da ferrovia FCA pode destravar o fluxo logístico entre os portos capixabas e o Centro-Oeste do país
Por Amanda Amaral
A renovação antecipada pela Agência Nacional dos Transportes da concessão da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), operada pela VLI, deve injetar cerca de R$ 24 bilhões na modernização da malha ferroviária nacional, podendo gerar impacto direto na eficiência produtiva do Espírito Santo.
No início de abril, a frota da VLI no Corredor Leste foi reforçada com a última locomotiva – de um lote total de sete, aquisição que integra investimentos de cerca de R$ 600 milhões realizados pela companhia VLI para a operação no novo formato regulatório de Agente Transportador Ferroviário de Cargas (ATF-C).
O novo contrato – aprovado em abril pela ANTT, deve ser renovado por mais 30 anos e prevê a aquisição de novas locomotivas e vagões, além de obras de mobilidade urbana e a possibilidade de aportes públicos em projetos estratégicos. O pedido de renovação segue para o Ministério dos Transportes e análise final pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
Além das intervenções já programadas, em nota, a ANTT confirmou que o novo acordo prevê a realização de Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEAs) para identificar a necessidade de obras complementares não previstas inicialmente.
A VLI Logística destacou que o modelo de renovação em discussão contempla a possibilidade de aportes públicos adicionais, em projetos como o contorno ferroviário de Belo Horizonte – o que beneficiaria o Espírito Santo como alternativa para melhorar o fluxo entre a FCA e a Estrada de Ferro Vitória-Minas, que interliga estados do Centro-Oeste do Brasil a portos do Espírito Santo.
“Os estudos de demanda da renovação da concessão preveem aumento de quase 50% do volume transportado pela ferrovia. Desta forma, a renovação da FCA terá impacto direto e positivo na movimentação portuária do Estado, independentemente de projetos adicionais”, disse a nota da VLI enviada à ES Brasil.
Os investimentos da VLI na FCA podem chegar até R$ 34 bilhões ao longo da execução do novo contrato, conforme divulgou a ANTT. Só em 2026, cerca de R$ 1,2 bilhão será direcionado para manutenção da FCA, do material rodante e melhorias que elevam a segurança e a eficiência das operações.

