Ainda não podemos apontar uma medida 100% eficaz na prevenção do câncer, mas reduzir os fatores de risco associados à doença faz toda a diferença
Por Virgínia Altoé Sessa
Adotar um estilo de vida saudável é uma decisão acertada em qualquer fase da vida (embora quanto mais cedo, melhor), pois contribui para prevenir problemas de saúde graves, como neoplasias malignas e outras enfermidades.
Atividade física regular, alimentação balanceada, exames médicos em dia e ficar longe de vícios, como bebidas alcoólicas e cigarros, estão na lista das medidas preventivas que cooperam para uma vida longe de doenças.
Essas práticas são sempre incentivadas porque realmente fazem diferença entre a saúde e a enfermidade, e as evidências científicas nos ajudam a entender melhor essa realidade.
Um novo estudo da Sociedade Americana do Câncer (American Cancer Societ) revelou que quatro em cada 10 diagnósticos de câncer e quase metade de todas as mortes pela doença de adultos com mais de 30 anos podem ser atribuídos a fatores de risco evitáveis. O levantamento levou em conta uma análise de 1,78 milhão de casos de câncer registrados em 2019 nos Estados Unidos.
Entre os fatores de risco modificáveis mais prevalentes identificados pelo estudo estão o tabagismo ativo e passivo, excesso de peso, etilismo, exposição à radiação ultravioleta e sedentarismo.
O tabagismo foi o principal fator de risco atribuído aos diagnósticos da doença, relacionado a 19,3% dos casos e a 28,5% das mortes de câncer. Em segundo lugar ficou o excesso de peso, com 7,6% dos casos e 7,3% dos óbitos; seguido pelo consumo de álcool, correspondente a 5,4% dos casos e 4,1% de mortes.
Esses agentes de risco são conhecidos da população, mas é importante que novas evidências reforcem a necessidade e a urgência de combatê-los. E que a partir dessas novas descobertas muitas consciências despertem para a necessidade de cuidar da saúde, inclusive quando ainda não há existência de doenças.
E mais: que sejam implementadas campanhas e ações educativas e preventivas de enfrentamento a todas essas condições que favorecem o surgimento de câncer, que infelizmente vem aumentando a incidência em todo o mundo.
Ainda não podemos apontar uma medida 100% eficaz na prevenção do câncer, mas reduzir os fatores de risco associados à doença faz toda a diferença.
Há casos que são de origem genética, mas esses não passam de 15% das incidências. A principal forma de prevenir o surgimento de tumores malignos ainda é adotar um estilo de vida saudável, com a prática regular de atividade física, alimentação equilibrada e evitar o consumo de substâncias prejudiciais, como álcool, fumo e outras drogas.
Também não podemos esquecer da importância de ir ao médico, mesmo sem estar doente. Hoje há muitos tipos de tumores que são rastreados por exames eficazes que podem diagnosticar a doença na fase inicial, aumentando as chances de cura. Por isso, é importante fazer consultas regulares e realizar todos os exames, segundo as necessidades de cada faixa etária ou estado individual de saúde.
Falar de casos de câncer, especialmente os que envolvem óbitos, é sempre difícil, mas, por outro lado, ressaltar as possibilidades de evitar a doença desperta esperança, principalmente porque está em cada um de nós a capacidade de reduzir significativamente os riscos de um adoecimento.
E que possamos seguir expandindo nossas consciências acerca do autocuidado e do quanto é importante tomar as decisões certas em favor da nossa saúde, para que a vida seja desfrutada com longevidade e o bem-estar que precisamos e merecemos.
Virgínia Altoé Sessa é médica oncologista.

