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Especialista explica por que o consumo de álcool pós-bariátrica não é liberado

“Como o álcool engorda, não podemos liberar seu consumo”, afirma o especialista Tarcísio Zovico

Por Kebim Tamanini

O consumo de álcool após a cirurgia bariátrica tem sido motivo de crescente preocupação entre especialistas, que alertam para os riscos associados ao hábito. Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que, entre os voluntários que participaram de uma pesquisa, 31% passaram a apresentar um quadro considerado de risco, segundo a escala de Audit, que avalia a frequência de ingestão alcoólica por meio de um questionário.

De acordo com médicos, o consumo de álcool após a cirurgia bariátrica não é recomendado em nenhuma fase do pós-operatório. “A princípio, não liberamos o uso de álcool após a cirurgia, seja em curto ou longo prazo. No curto prazo, porque o estômago ainda está recém-operado e o álcool pode irritá-lo; no longo prazo, por causa do risco de ganho de peso”, explica Tarcísio Zovico, coordenador do Serviço de Cirurgia Bariátrica do Hospital Estadual de Vila Velha (HEVV), referência no estado para esses procedimentos.

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O álcool é frequentemente comparado ao açúcar e à gordura em termos de valor calórico. Um grama de açúcar possui 4 calorias, enquanto um grama de gordura contém 9 calorias. O álcool, por sua vez, possui 7 calorias por grama, sendo o segundo nutriente mais calórico, superado apenas pela gordura. “Como o álcool engorda, não podemos liberar seu consumo. Se o paciente não pode comer açúcar, também não deve beber álcool”, destaca Zovico.

Especialista explica por que o consumo de álcool pós-bariátrica não é liberado
Tarcísio Zovico, coordenador do Serviço de Cirurgia Bariátrica do Hospital Estadual de Vila Velha (HEVV), referência no estado para esses procedimentos. Foto: Reprodução

Outro ponto para a restrição do álcool no pós-operatório é evitar que o paciente substitua uma compulsão alimentar por outra, como o alcoolismo, o que pode ser igualmente prejudicial. “A família e a equipe médica precisam intervir, e o paciente deve ser conscientizado sobre o risco de voltar a ter os mesmos problemas de antes da cirurgia ao retomar hábitos prejudiciais”, alerta o coordenador.

Ele ressalta que a cirurgia bariátrica não provoca o desenvolvimento de problemas com álcool, mas pacientes com predisposição podem trocar uma compulsão por outra. “Com o acompanhamento adequado desde o início, é possível evitar que isso aconteça”, finaliza.

Limites de Álcool

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda limites seguros de consumo de álcool para a população em geral: até 15 gramas de etanol por dia para mulheres e 30 gramas para homens. Esses limites correspondem, em média, a uma lata de cerveja para mulheres e duas para homens, ou a uma taça de vinho (120 ml) para mulheres e duas para homens. No caso de destilados, o limite é de 40 ml para mulheres e 60 ml para homens.

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Essas diretrizes são estabelecidas para evitar sobrecargas renais e hepáticas na população em geral, mas é importante destacar que não se aplicam diretamente a pacientes bariátricos. A OMS informa que para esses pacientes, a recomendação é uma redução considerável do consumo de bebidas alcoólicas, considerando os riscos elevados de complicações e reganho de peso.

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Estatísticas divulgadas pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica apontam que, em 2022, foram realizadas 74.738 cirurgias bariátricas no Brasil.

O procedimento é reconhecido por sua eficácia e efetividade, resultando em maior expectativa e qualidade de vida, remissão ou redução de comorbidades associadas, e melhores benefícios com os planos de saúde. Desde sua introdução, houve um aumento significativo no número de cirurgias bariátricas realizadas globalmente e no Brasil.

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