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Espírito Santo bate recorde de empregos em 2026

O recorde de empregos é um sinal da vitalidade da nossa economia, mas a dificuldade em preencher vagas técnicas mostra que o desafio é a formação de capital humano

Por Amanda Amaral e Nathanael Rodor

A aceleração da transformação tecnológica e as mudanças no perfil do trabalho colocam a formação de capital humano no centro da competitividade industrial. Em entrevista à Revista ES Brasil, o diretor-geral da Findes, Roberto Campos de Lima, fala sobre como a entidade tem se antecipado aos impactos da Inteligência Artificial na indústria, a reformulação dos modelos educacionais e os desafios para qualificar profissionais diante de um mercado cada vez mais exigente. Ele também destaca caminhos para diversificar a economia capixaba, com foco em inovação, indústria de base tecnológica, economia verde e energias renováveis, além da necessidade de um pacto amplo para superar o déficit de mão de obra qualificada no Estado.

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1.    O avanço acelerado da Inteligência Artificial (IA) já está redesenhando a demanda por profissionais no mercado e o perfil do trabalhador da indústria. Como a Findes está se antecipando a esse movimento para preparar o capital humano capixaba para um novo ciclo de produtividade e competitividade?

A IA não está apenas substituindo tarefas, mas redesenhando profissões. Como em qualquer revolução tecnológica, é preciso trabalhar o letramento de toda a sociedade.  É importante destacar que o Brasil perdeu algumas ondas de desenvolvimento tecnológico e econômico que ocorreram no mundo, e não pode perder mais essa. Por isso, Estamos atualizando os currículos do SESI e do SENAI, e ampliando a oferta de formação técnica que inclua IA na sua estrutura, inclusive em parceria com a Secretaria Estadual de Educação (SEDU) e com a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação e Educação Profissional (SECTI). Também olhamos para quem já está fora do mercado ou na informalidade, com programas de upskilling e reskilling, ou seja, qualificação e requalificação profissional. Cada vez mais, a FINDES e o SENAI irão se posicionar para ser um farol para a Indústria e, no contexto de avanço da IA, não será diferente. Iremos ampliar a nossa oferta de serviços para que a Indústria adote essas novas tecnologias e amplie sua competitividade.

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2. As Escolas SESI de Referência rompem com o modelo tradicional de ensino e formam jovens mais preparados para resolver problemas reais, com autonomia, pensamento crítico e capacidade de execução. Como mostrar ao industrial, ainda pressionado pelo curto prazo, que investir nessa formação é uma decisão estratégica que impacta diretamente a produtividade e o resultado do seu negócio?

Quando conversamos com o industrial, mostramos que esse investimento em educação gera retorno direto em produtividade no médio e no longo prazo. Claro que precisamos, ao mesmo tempo, atuar para que as pessoas que não estão inseridas no mercado formal possam se integrar. E, nesse caso, Não se trata somente de educação, mas de um resgate de pessoas que estão fora do mercado e que precisam de educação continuada para desenvolver as novas competências exigidas pelo mundo do trabalho. Jovens formados com autonomia, pensamento crítico e capacidade de execução inovam mais, trabalham melhor em equipe e sabem interagir com tecnologias como a I.A. As Escolas SESI de Referência ajudam a formar esse novo perfil. Ao apresentar casos de empresas capixabas que já ganham eficiência com esses profissionais, fica claro que não se trata de custo, mas de uma decisão estratégica de negócio. 

3. A economia capixaba ainda carrega forte dependência de commodities e da lógica portuária tradicional. Quais são as potencialidades ainda pouco exploradas na indústria capixaba e como elas podem contribuir para um crescimento mais equilibrado e menos dependente de ciclos externos?

É claro que o Espírito Santo deve grande parte do seu desenvolvimento econômico à força que desenvolveu em commodities e logística, mas essa não é a única resposta para o futuro, sobretudo com a reforma tributária. Existe um enorme potencial no Estado em indústria de base tecnológica – com a automação, o desenvolvimento de softwares e I.A aplicada às cadeias tradicionais –, bem como na economia verde, nas energias renováveis e na manufatura avançada. A reforma tributária tende a favorecer atividades intensivas em conhecimento. Por isso, atuamos junto à SECTI, à SEDU e às empresas para alinhar política industrial, inovação e formação técnica, buscando um crescimento mais equilibrado e resiliente.

4. Em um Brasil com déficit de engenheiros e técnicos, como o modelo de gestão e articulação do Espírito Santo pode servir de referência para despertar o interesse dos jovens pelas carreiras técnicas e científicas?

Acreditamos que o interesse pelas carreiras técnicas nasce cedo e, se queremos inovar, precisamos fazer isso criando mais interesse pelas carreiras técnicas e de engenharia, estimulando desde a base. Por isso, estamos fortalecendo a educação STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics) desde o ensino fundamental, por meio das Escolas SESI de Referência e em articulação com as prefeituras. Levamos projetos de robótica, programação e desafios reais da indústria para a sala de aula. Ao mesmo tempo, trabalhamos a qualificação e a requalificação profissional (upskilling e reskilling) de jovens e adultos que não acompanharam as transformações do mercado, oferecendo trilhas formativas conectadas às demandas da indústria. Essa governança integrada pode servir de referência e inspiração para outros estados na construção de ecossistemas de formação de talentos.

5. O Espírito Santo bateu recordes na geração de empregos em 2026, mas a indústria segue relatando dificuldade para preencher vagas técnicas. Como o senhor avalia esse cenário no Estado e quais medidas são necessárias para superar esse apagão de talentos?

O recorde de empregos é um sinal da vitalidade da nossa economia, mas a dificuldade em preencher vagas técnicas mostra que o desafio é a formação de capital humano. Não falta gente necessariamente; falta qualificação adequada. Por isso, ampliamos a formação técnica com oferta própria e em parcerias com indústrias e o poder público, além de investirmos na requalificação de quem está na informalidade ou fora do mercado. É preciso que a sociedade se mobilize para criar um pacto voltado para o desenvolvimento do capital humano no Espírito Santo, lançando mão de todas as políticas capazes de intensificar esse desenvolvimento.

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Essa entrevista é uma republicação da edição 233 da Revista ES Brasil – ES Em Números. Confira a edição digital completa aqui.

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