- Continua após a publicidade -
- Continua após a publicidade -

Mais dados, mais poder ao paciente na saúde

Mais dados, mais poder ao paciente na saúde

Quanto maior o acesso a informações claras sobre desempenho hospitalar, maior a capacidade do paciente de compreender riscos

Por Eduardo Amorim

A recente divulgação, pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), dos resultados do Programa de Monitoramento da Qualidade Hospitalar (PM-QUALISS), agora com acesso aberto ao público, representa um passo relevante na evolução da saúde suplementar brasileira.

Pela primeira vez, beneficiários de planos de saúde podem consultar indicadores objetivos sobre o desempenho de hospitais privados, ampliando a transparência e fortalecendo o direito à informação — um dos pilares das relações de consumo e da própria assistência em saúde.

- Continua após a publicidade -

A iniciativa permite que qualquer cidadão avalie instituições com base em critérios técnicos ligados à efetividade clínica, à eficiência do cuidado e à segurança do paciente ao longo da jornada assistencial.

Indicadores como taxa de reinternação em até 30 dias, ocorrência de quedas com dano durante a internação, adoção de medidas preventivas para tromboembolismo venoso e proporção de partos vaginais oferecem parâmetros concretos de qualidade.
Trata-se de uma mudança significativa: a escolha do hospital deixa de se apoiar apenas em reputação ou percepção subjetiva e passa a considerar dados mensuráveis.

Sob a perspectiva jurídica, a abertura dessas informações dialoga diretamente com princípios estruturantes do direito do consumidor, como transparência, boa-fé objetiva e acesso à informação adequada e clara.

O setor da saúde sempre foi marcado por intensa assimetria informacional: o paciente, naturalmente, dispõe de menos conhecimento técnico do que hospitais e operadoras. Ao tornar públicos esses indicadores, o regulador contribui para reduzir esse desequilíbrio e promover decisões mais conscientes.

- Continua após a publicidade -

Há também efeitos sistêmicos positivos. A comparação entre instituições tende a estimular uma concorrência saudável baseada em qualidade assistencial, incentivando investimentos em protocolos, redução de eventos adversos e fortalecimento da cultura de segurança do paciente.

Transparência, nesse contexto, funciona como instrumento regulatório indireto, induzindo melhorias sem intervenção excessiva.

Outro reflexo possível está na própria dinâmica da judicialização. Quanto maior o acesso a informações claras sobre desempenho hospitalar, maior a capacidade do paciente de compreender riscos, expectativas e limites do tratamento. Decisões mais informadas reduzem frustrações decorrentes de expectativas irreais e podem contribuir para a prevenção de conflitos.

Conteúdo em Alta

Saúde mental deixou de ser problema terceirizado
Saúde preventiva nas empresas
Varejo aposta em UX para fidelizar clientes
Direitos do paciente: o que muda com a...
Tecnologia e humanização no futuro da gestão hospitalar
O corpo avisa, mas a gente silencia
O exame da medicina e o exame da...
Advocacia preventiva na saúde
Violência contra a mulher também é papo de...
Vacina da gripe será liberada para toda população...

Naturalmente, a credibilidade do sistema dependerá da consistência e da confiabilidade dos dados divulgados, já que as informações são fornecidas pelas próprias instituições, ainda que sob metodologia e supervisão regulatória. Transparência exige responsabilidade permanente e aprimoramento contínuo dos indicadores.

- Continua após a publicidade -

Ainda assim, a abertura do PM-QUALISS ao público sinaliza amadurecimento institucional. Transparência não é apenas ferramenta de gestão; é instrumento de cidadania. Ao iluminar dados antes restritos, fortalece direitos, estimula qualidade e aproxima o sistema de uma assistência mais segura e centrada no paciente.

Eduardo Amorim é presidente da Comissão de Direito da Saúde da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)

Leia Mais

Licença-paternidade ampliada sob a ótica do Direito Familiar
Temos muito para contar
Banestes lucra R$ 91 milhões e bate recorde...
Justiça do RJ pede 60 salários para liberar...
Saúde pública e o perigo invisível das fake...
Ecoporanga anuncia concurso público para procurador municipal
Direito à informação garante autonomia na saúde da...
Porto Central: promessa ou miragem?
ES soma quase 500 autorizações para doação de...
Presidente do TRE-ES participa de encontro nacional do...
- Continua após a publicidade -

Mais Artigos

Continua após publicidade

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade
- Publicidade -

Vida Capixaba