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Violência contra a mulher também é papo de homem

Violência contra a mulher também é papo de homem

A violência contra a mulher nasce de uma lógica de controle social, que impõe papéis rígidos aos gêneros. Ela é utilizada como mecanismo de manutenção de poder

Por Thiago Santos

Março, o mês da mulher, terminou marcado no Espírito Santo por um crime bárbaro: o feminicídio de Dayse Barbosa, de 37 anos, primeira mulher a comandar a Guarda Municipal de Vitória. Dias antes, outro caso havia chocado o país: o assassinato da PM Gisele Alves Santana, 32 anos, em São Paulo. Infelizmente, sabemos que não são episódios isolados.

A violência contra a mulher atingiu níveis recordes no Brasil no ano passado. Foram 1.568 mulheres assassinadas por razões de gênero, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior e o maior número desde a tipificação do feminicídio, em 2015. Mais alarmante ainda é o dado de que 37,5% das brasileiras adultas (ou uma em cada três) já sofreram algum tipo de violência, seja física, psicológica ou sexual, como mostra recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

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No Espírito Santo, num cenário de queda dos homicídios, com os menores índices dos últimos 30 anos, o Estado ainda figura em 6º lugar do país, em número de feminicídios, de acordo com o Mapa da Segurança Pública 2025. O governador Ricardo Ferraço, ao tomar posse dias atrás, destacou que sua gestão terá “tolerância zero” com a violência contra a mulher. Na mesma linha, a prefeita Cris Samorini, primeira mulher a assumir a Prefeitura de Vitória, disse que o feminicídio será combatido diretamente de seu gabinete.

Os números impressionam, mas não explicam tudo. Eles são a expressão mais visível de um problema histórico e estrutural. O Brasil foi formado sobre bases marcadamente patriarcais, em que a figura masculina ocupava posição de autoridade na família, na política e na economia. Durante séculos, a mulher foi socialmente associada ao espaço privado, à dependência econômica e à submissão. Esse padrão não desapareceu com a industrialização e a modernização do país. Ele foi, em grande medida, incorporado à cultura, reproduzido nas relações sociais e, muitas vezes, naturalizado.

A violência contra a mulher nasce de uma lógica de controle social, que impõe papéis rígidos aos gêneros. Ela é utilizada, consciente ou inconscientemente, como mecanismo de manutenção de poder, especialmente quando há ruptura de expectativas, como a autonomia feminina, o crescimento profissional ou o fim de relações abusivas.

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Mesmo com avanços importantes, como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio, especialistas são unânimes ao apontar que o principal desafio hoje é cultural. Leis são fundamentais, sim, mas não são suficientes quando padrões de comportamento e mentalidades permanecem inalterados. E é exatamente por isso que esse não pode ser um debate restrito às mulheres.

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Os homens também precisam fazer parte da solução. A gravidade da questão exige uma atuação integrada, envolvendo homens e mulheres, Estado, sociedade civil, instituições e setor produtivo. Sim, o ambiente empresarial também tem um papel estratégico, promovendo igualdade de oportunidades, ampliando a presença feminina em posições de liderança e construindo culturas organizacionais mais inclusivas.

É com essa visão que o LIDE Espírito Santo lançou, em março, o LIDE Mulher, uma vertical dedicada a impulsionar a participação feminina nos espaços de decisão, fomentando lideranças e promovendo uma cultura empresarial mais equilibrada. O LIDE Mulher é coordenado pela Ana Paula França, conselheira de empresas inclusive listadas na bolsa, apresentadora e colunista de TV, mentora de carreiras e negócios, considerada uma das 50 maiores referências do empoderamento feminino no Brasil pela Favikon, empresa francesa reconhecida como a melhor plataforma de marketing para negócios do mundo.

O LIDE Mulher prevê uma agenda de encontros executivos, debates e fóruns que colocam a equidade de gênero no centro das decisões estratégicas. Mas é importante dizer: o LIDE Mulher não é um espaço apenas para mulheres. É uma agenda que exige o engajamento de todos, inclusive dos homens. Não haverá avanço consistente sem essa participação ativa.

O Espírito Santo vive um momento de grandes oportunidades. Mas o desenvolvimento que buscamos precisa ser inclusivo, sustentável e humano. Isso passa, inevitavelmente, pela construção de uma sociedade em que mulheres possam viver sem violência e com igualdade de oportunidades. Essa não é uma causa de um grupo. É uma causa coletiva, que demanda responsabilidade compartilhada.

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Thiago Santos é Empresário e presidente do LIDE Espírito Santo

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