
Espírito Santo se destaca nacionalmente em governança e transparência, impulsionando desenvolvimento com integridade e controle eficientes
Por Edmar Camata
Durante muitos anos, a agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) esteve associada quase exclusivamente ao setor privado. Governança, sustentabilidade e responsabilidade social eram percebidas como diferenciais competitivos para organizações que buscavam valor de mercado, reputação e longevidade. Mas os tempos mudaram. Hoje, falar de ESG não significa apenas discutir práticas empresariais, significa debater a capacidade das instituições públicas de gerar confiança, entregar resultados e construir um desenvolvimento sólido e sustentável.
No setor público, ESG é a capacidade de entregar políticas públicas com integridade, transparência, eficiência e responsabilidade institucional, atingindo resultados sociais e praticando a sustentabilidade. Mas é também fomentar essas práticas para o mercado privado. Significa compreender que o desenvolvimento econômico anda de mãos dadas com a confiança que a sociedade deposita em cada uma das instituições.
Nesse contexto, sabemos que no Espírito Santo a gestão pública deixou de ser apenas um discurso técnico e se tornou uma política de Estado em dezenas de indicadores. A mais recente edição do Ranking de Competitividade dos Estados, elaborada pelo Centro de Liderança Pública (CLP), confirma que o nosso estado mantém uma trajetória contínua de crescimento e fortalecimento institucional, sendo o que mais evoluiu em economia, considerando pilares relevantes, como capital humano, infraestrutura, inovação e potencial de mercado. Também foi o melhor estado em solidez fiscal.
Todos os nossos avanços nos últimos anos mostram que o desenvolvimento é resultado de escolhas e de muito planejamento e que todas as conquistas são fruto da forma como o Estado se organiza internamente. Um exemplo disso é que o Espírito Santo foi o primeiro estado do País a alcançar 100% dos órgãos e entidades estaduais com planos de integridade publicados. Isso diz muito sobre o tipo de gestão pública que estamos construindo. Afinal, a integridade começa dentro das instituições, na cultura organizacional e na forma como as decisões são tomadas.
E os resultados do nosso trabalho já são reconhecidos nacionalmente. Outro exemplo é o Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), promovido pela Transparência Internacional, que também colocou o Espírito Santo como o estado mais transparente do Brasil.
Junto às conquistas, também vem a modernização. A Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont/ES) tem investido cada vez mais em auditoria contínua, tecnologia e análise de dados, a fim de antecipar riscos e tornar o controle mais inteligente e eficiente. Foi esse processo que permitiu ao Estado alcançar, recentemente, o nível 2 do IA-CM, metodologia internacional que avalia a capacidade das auditorias internas governamentais.
Tudo isso revela uma mudança importante na forma de pensar da gestão pública. Integridade, transparência e controle deixaram de ser vistos como mecanismos burocráticos e passaram a ocupar um papel estratégico no desenvolvimento, porque governar bem é construir credibilidade.
No fim das contas, falar de ESG no setor público é falar sobre confiança. É entender que instituições fortes, transparentes e responsáveis criam ambientes mais seguros para investir, crescer e se desenvolver. E o Espírito Santo tem mostrado que são esses princípios que fazem o estado avançar.
Edmar Camata é secretário de Estado de Controle e Transparência do ES e mestre em Políticas Anticorrupção pela Universidad de Salamanca

