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Portos capixabas enfrentam risco da água de lastro

A água usada para dar estabilidade aos navios pode transportar espécies invasoras e desafia portos capixabas a reforçar o controle ambiental e a agenda de sustentabilidade

Por Pedro Henrique Oliveira

A logística, Importante segmento da economia capixaba, carrega um grande e silencioso desafio: a água que entra e sai dos navios, conhecida como água de lastro. 

Esse material captado do mar para dar peso e manter o calado adequado ajuda na estabilidade, na segurança e no equilíbrio das embarcações, especialmente quando estão sem carga ou parcialmente carregadas. Por outro lado, a água de lastro pode transportar organismos aquáticos, bactérias, larvas e até espécies invasoras de uma região para outra, o que pode impactar, além da biodiversidade, a saúde e a economia.

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Considerado o complexo portuário que possui e a intensa movimentação de navios em território capixaba, o Espírito Santo precisa estar atento a essa dinâmica. 

O risco da água de lastro

Hoje, as áreas portuárias são reconhecidas como um dos principais epicentros globais de bioinvasão marinha, tanto por meio da água de lastro quanto por incrustações em cascos de navios e plataformas, como explica Thais Lemos, pesquisadora da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e pós-doutora em Ecologia.

“Comprovar de forma definitiva a via exata de introdução de uma espécie exótica ainda é um grande desafio científico e operacional, pois exige fiscalização contínua, monitoramento de longo prazo e metodologias específicas para diferentes grupos biológicos”, alerta.

Os impactos são invisíveis, mas trazem grande risco para o ecossistema local, pois criam uma competição com as espécies nativas, alterando a biodiversidade e trazendo prejuízos ecológicos em áreas recifais. No Espírito Santo, o Coral-sol é um dos principais invasores conhecidos.

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“Essas espécies invasoras já foram registradas em estruturas portuárias, plataformas offshore, cascos de embarcações e ambientes recifais do estado. Elas são amplamente associadas ao transporte marítimo e à bioincrustação”, acrescenta Thais.

Organismos microscópicos transportados por água de lastro também representam um ponto de alerta para os ambientalistas, pois muitos deles não podem ser identificados facilmente por métodos visuais tradicionais.

Essa matéria é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

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