
O conceito de “porto verde” se consolidou como necessidade estratégica. A atividade marítima responde por parcela relevante das emissões globais de gases de efeito estufa
Por Alexandre Billot Mori
Durante muito tempo, a sustentabilidade foi associada quase exclusivamente à preservação ambiental. Hoje, o conceito envolve também eficiência, inovação, competitividade, governança e geração de valor no longo prazo. No setor portuário, essa transformação é especialmente evidente.
Os portos conectam cadeias produtivas, modais logísticos, territórios, empresas e pessoas. Eles também são infraestruturas estratégicas para o comércio global: mais de 80% das mercadorias comercializadas no mundo passam pelo transporte marítimo, o que amplia a responsabilidade do setor na construção de uma economia de menor impacto ambiental.
Nesse contexto, o conceito de “porto verde” deixou de ser tendência para se consolidar como necessidade estratégica. A atividade marítima responde por parcela relevante das emissões globais de gases de efeito estufa, tema que ganha ainda mais importância com a expansão do comércio internacional.
Um porto eficiente é, por definição, mais sustentável. Reduzir tempos de espera significa diminuir consumo de combustível, emissões, desperdícios e custos operacionais. Mais inteligência logística gera menor impacto ambiental e mais competitividade, lógica que se torna ainda mais evidente na cadeia de base florestal, um dos grandes ativos do Brasil.
O país é líder global na produção e na exportação de celulose, apoiado em uma cadeia altamente produtiva, tecnologicamente avançada e baseada em florestas plantadas. Trata-se de um setor que combina produção, conservação, uso de energia renovável, manejo certificado, captura de carbono e geração de desenvolvimento regional. Para que esse valor se concretize, porém, é essencial contar com uma logística igualmente eficiente e sustentável.
É nesse ponto que os portos assumem protagonismo. Na Portocel, consolidamos, ao longo de décadas, uma operação de excelência na movimentação de produtos florestais. Mais recentemente, avançamos para um modelo mais integrado, multimodal e multicargas, mantendo a sustentabilidade como um dos pilares estratégicos.
Essa evolução se traduz em investimentos em inovação, automação, digitalização, eficiência operacional, segurança e governança, aliando produtividade e previsibilidade à redução de impactos ambientais. Na prática, competitividade e sustentabilidade deixam de ser objetivos concorrentes e se fortalecem mutuamente.
O conceito de “porto verde” também exige integração com o território. Exige diálogo com comunidades, articulação com o poder público, desenvolvimento de fornecedores, qualificação profissional e contribuição efetiva para o desenvolvimento regional. Nesse aspecto, a relação porto-cidade torna-se parte essencial da agenda sustentável.
O Espírito Santo reúne condições importantes para liderar essa agenda, graças a localização estratégica, tradição portuária, vocação exportadora e ativos logísticos. Projetos estruturantes, como o Parklog/ES, reforçam a importância de integrar logística, infraestrutura, energia e desenvolvimento territorial.
Consolidar o Espírito Santo como referência em logística sustentável exige planejamento de longo prazo, integração entre modais, segurança jurídica, inovação, qualificação de pessoas e articulação entre setor público, iniciativa privada e sociedade.
Os portos que compreenderem esse movimento estarão mais preparados para liderar uma economia mais eficiente, resiliente e conectada às transformações do nosso tempo. Ser um porto verde não é apenas reduzir impactos. É ampliar possibilidades.
Alexandre Billot Mori é gerente executivo da Portocel
Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

