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Porto-cidade: sustentabilidade como vetor de competitividade

Porto-cidade: sustentabilidade como vetor de competitividade

Investimentos em gestão e certificações elevam desempenho ambiental e ampliam operações logísticas no Espírito Santo

Por Camila Bridi

Portos inseridos em áreas urbanas enfrentam o desafio de conciliar eficiência logística, preservação ambiental e qualidade de vida de quem mora no entorno. No Espírito Santo, temos um complexo portuário historicamente integrado ao cotidiano das cidades, que hoje precisa responder às demandas de uma economia global de baixo carbono, sem perder de vista os impactos locais de cada decisão operacional.

Desde 2022, a Vports estrutura sua atuação em um modelo de gestão que associa governança, rigor ambiental e foco em performance. A agenda ESG orienta a estratégia, os investimentos e a forma como o porto se relaciona com a cidade, com seus trabalhadores e clientes e com o ecossistema de Vitória e Vila Velha. 

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Na dimensão ambiental, a companhia adotou instrumentos de gestão que sustentam esse compromisso. Em 18 meses de concessão, conquistamos as certificações ISO 9001, 14001 e 45001 e elevamos em 20% o Índice de Desempenho Ambiental (IDA/ANTAQ). A elaboração do inventário de emissões de gases de efeito estufa (GEE), seguindo o GHG Protocol e incluindo os escopos 1, 2 e 3, permitiu quantificar impactos em toda a cadeia logística e construir um plano de descarbonização consistente, com medidas de eficiência energética como a substituição de gasolina por etanol na frota interna e a migração para energia limpa.

Para conciliar competitividade de calado e proteção ambiental, a Vports investe em soluções de engenharia que ampliam a capacidade operacional, sem aumentar a frequência de dragagens. O aumento do DWT máximo dos navios de 70 mil para 83 mil toneladas, com incremento de 70% na quantidade de embarcações Panamax aptas a acessar o canal, é resultado direto desse esforço. 

A infraestrutura de gestão de resíduos e o controle ambiental rigoroso também se convertem em vantagem competitiva. A escolha de empresas pré-habilitadas para retirada de resíduos de embarcações, combinada a planos de resposta a emergências testados, dá segurança a armadores globais que operam sob metas rígidas de ESG. A confiabilidade dos inventários de GEE e o Selo Diamante no Pacto pela Sustentabilidade reforçam a percepção de que os terminais capixabas oferecem um ambiente estável, com menor risco de passivos ambientais e interrupções.

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Ao mesmo tempo, o porto se consolida como plataforma da nova economia. O modelo de gestão flexível permite diversificar cargas e integrar o Espírito Santo às cadeias produtivas de baixo carbono. A liderança nacional na importação de veículos elétricos, a participação na exportação de lítio verde e a operação de briquetes para produção sustentável de aço demonstram que a transição energética já se materializa na pauta de cargas.

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Nenhum desses avanços seria sustentável sem uma relação madura com o território. Inserido na malha urbana de Vitória e Vila Velha, o porto precisa compartilhar seus espaços e benefícios. A destinação de armazéns para usos culturais, educacionais e gastronômicos contribui para a revitalização urbana e aproxima a sociedade da atividade portuária. 

O futuro da relação porto-cidade passa por manter o porto aberto às pessoas, à inovação e a novas parcerias com o poder público, a sociedade civil e o setor produtivo. Ao integrar gestão ambiental rigorosa, eficiência operacional e diálogo permanente com as cidades, o que buscamos é a construção de um complexo portuário que gere valor para o Brasil e, sobretudo, para quem vive e trabalha no entorno. Um porto verde, competitivo e conectado ao desenvolvimento urbano e social do Espírito Santo.

Camila Bridi é gerente de Gestão e Sustentabilidade da Vports

Esse artigo é uma republicação da edição 234 da Revista ES Brasil – Anuário Verde. Confira a edição digital completa aqui.

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