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O verdadeiro custo de fazer uma ideia acontecer

O verdadeiro custo de fazer uma ideia acontecer

Ideias são abundantes, mas o que separa quem realiza de quem apenas imagina é a capacidade de sustentar, durante anos, o esforço silencioso que uma ideia exige até se tornar realidade

Por Valéria Effgen

Quantas ideias geniais você já viu morrer sem que ninguém percebesse que estavam morrendo?

Pode ser uma ideia sua, daquelas que aparecem num final de semana e te enchem de entusiasmo, e que três meses depois você nem lembra mais. Pode ser uma ideia de uma amiga, daquelas que você ouviu e pensou “isso vai dar muito certo”, e que ficou parada na intenção. Ou, pode ser uma ideia que alguém teve dez anos antes do mercado descobrir, e que esperou numa gaveta enquanto outra pessoa, com a mesma ideia muito tempo depois, virou sucesso.

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Existe um diagnóstico simples sobre o empreendedorismo que muita gente repete sem entender o tamanho da verdade que está dizendo: 

IDEIAS SÃO ABUNDANTES, EXECUÇÃO É RARA.

E aqui chegamos a um ponto que precisa ser dito com honestidade, porque há uma confusão cultural que adoece muitas mulheres competentes: execução, para a maioria das pessoas, virou sinônimo de disciplina. É comum achar que executar é acordar cedo, fazer lista, cumprir cronograma, não procrastinar… é claro que tudo isso importa, mas essa é apenas a camada visível, a mais fácil, do que de fato significa executar uma ideia até ela virar negócio.

Em vinte e tantos anos de carreira, vi centenas de mulheres iniciarem com disciplina exemplar e desistirem mesmo assim, mesmo tendo lista de tarefas e cronograma. Contudo, o que as fez desistir foi outra coisa, mais profunda, que ninguém tinha avisado a elas que ia ser exigido.

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A execução real, a que sustenta uma ideia até ela respirar sozinha, depende de quatro coisas que raramente são nomeadas juntas:

Depende de resiliência psicológica, que é a capacidade de atravessar os ciclos repetidos do “isso não vai dar certo” sem “deixar a peteca cair”. Toda construção tem semanas em que tudo parece perdido e quem não tem reserva interna para atravessá-las, abandona.

Depende de rede de apoio, porque ninguém executa sozinha. Quem tenta fazer tudo sem ajuda, sem mentoria, sem pares, sem comunidade, esgota antes de dar tempo à ideia de florescer.

Depende de capital financeiro, que é menos romântico de falar, mas decisivo. Sem reserva, qualquer crise menor vira motivo de desistência, porque a sobrevivência fala mais alto que o sonho. Muitas esquecem de que toda ideia precisa de um colchão para o tempo da espera.

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E depende, por fim, de capital emocional, que é a paciência para esperar o ritmo real de uma construção. Negócios sólidos demoram anos para amadurecer e quem não tem fôlego para esse tempo, desiste antes da curva virar.

Uma coisa para que não se pode esquecer

A mulher que empreende foi ensinada, durante toda a vida, a desconfiar das próprias ideias. Por isso, quando finalmente se permite ter uma, costuma se cobrar prova rápida. Tenta provar, pela velocidade, que a ideia merece existir, sem perceber que a velocidade exigida sabota justamente o que mais importa na execução: o tempo.

A execução verdadeira é, antes de tudo, paciência ativa. É a coragem de continuar construindo, com calma, mesmo quando ninguém ainda percebeu que algo está sendo construído.

Por isso, a pergunta que importa não é “minha ideia é boa?”. Essa pergunta paralisa, porque nunca temos certeza absoluta, e quem espera certeza absoluta nunca começa. A pergunta que importa é outra, e muito mais honesta: eu tenho, hoje, o que é preciso para passar três, quatro, cinco anos construindo essa ideia, mesmo quando ela parar de me animar?

Se a resposta for sim, comece. Se a resposta for não, antes de começar, construa o que falta. Reserva financeira, rede de apoio, fortalecimento psicológico, clareza emocional, pois esses quatro são o capital invisível da execução. Sem eles, qualquer ideia, por mais brilhante, vira só lembrança.

Minhas amigas, não se preocupem em ter mais ideias. Preocupem-se em cuidar melhor das que escolherem levar em frente. 

O mundo já tem ideias demais paradas em gavetas. O que ele precisa, agora, é de mais mulheres que tenham o que é preciso para fazer as suas acontecerem de verdade.

Valéria Effgen é executiva, fundadora do Voa Mulher e advisor da plataforma de planos de negócios Vibz. Atua com estratégia e desenvolvimento de negócios há mais de 20 anos

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