Acordo Mercosul-UE pode abrir oportunidades e riscos ao agro do Espírito Santo, exigindo cautela dos produtores diante da concorrência com produtos estrangeiros
Por Amanda Amaral
O acordo entre Mercosul e a União Europeia (Mercosul-UE), firmado este mês, é uma janela de oportunidades para as exportações da agricultura no Espírito Santo. Contudo, pode exigir cautela dos produtores rurais capixabas, em razão da competitividade frente aos produtos estrangeiros.
Welingtonglei Carvalho, gerente administrativo do Sistema Rural – Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faes/Senar), ressalta que a abertura comercial pode trazer produtos com preços inferiores aos praticados internamente, afetando o mercado local devido aos altos custos de produção no Brasil. Algo já observado com a produção leiteira.
A Faes/Senar vem intensificando suas consultorias de assistência técnica e gerencial. “É uma análise que deve ser feita por segmentos, para avaliar o que será bom ou ruim com relação ao novo acordo. Nós do Sistema Rural temos o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, com quase 4 mil propriedades sendo assistidas. Por meio dele, nós levantamos o custo de produção dessas propriedades, o que vai ser fundamental para enfrentar essa nova realidade”, explicou Carvalho.
Sem conhecimento sobre os custos de produção, não é possível mensurar os impactos frente a novas concorrências. “O produtor, com a assistência técnica gerencial, consegue, por exemplo, saber se ele estava produzindo 90 litros de leite por dia e passou para 140 ou 180 litros, o porquê do aumento”, observou.
Para o Sistema Rural no Espírito Santo, o grande desafio é promover uma mudança cultural no campo, já que o produtor avalia entre parar para planejar e o trabalho no campo. “Estudar a gestão da propriedade é na verdade o que garantirá maior eficiência e lucro mais à frente”, disse.
Expotações

Com relação à produção do Espírito Santo já consolidada no mercado internacional, como o café e a pimenta-do-reino, por exemplo, Carvalho destaca que o produto capixaba tem boa aceitação. “Isso já prova que nós somos eficientes na questão de produção, tanto é que existe a expressão ‘nós somos o celeiro do mundo’. A nossa agricultura tropical tem um dinamismo muito grande. Estamos avançando cada vez mais com a implementação tecnológica”, comentou.
Carvalho destaca ainda que, no Espírito Santo, uma parceria entre o Sebrae-ES, e a Faes/Senar, fomenta o desenvolvimento de empreendedores, de micro e pequenas empresas e a melhoria do ambiente de negócios do setor e da imagem do agronegócio brasileiro junto à sociedade. “O Espírito Santo dividia a consultoria com o Rio de Janeiro. Hoje, o estado tem seu próprio consultor. Tanto é que existem produtores em Santa Leopoldina exportando gengibre através dessa consultoria”, disse.

