Consumidor deve perceber maior variedade de produtos importados com o tratado Mercosul-UE, mas barateamento dos produtos, pode demorar
Por Amanda Amaral
Foi aprovado em 09 de janeiro, após 25 anos de negociação dia, o acordo do Mercosul e da União Europeia (UE). Setores da economia no Espírito Santo e no Brasil já especulam sobre aumento de exportações, expansão de mercado e a atração de investimentos para o país. Mas para a população, o que muda com a criação da maior zona de livre comércio do mundo?
Na opinião do economista e membro do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Vaner Correa, de forma geral, os produtos europeus vão chegar mais fácil ao Brasil e devem ficar um pouco mais baratos para as empresas. Mas na prática, ele alerta que a “redução tarifária não vira automaticamente preço menor na prateleira”. No caso do Espírito Santo, que é um estado logístico e importador, o economista explica que o efeito tende a ser mais percebido pela população devido a uma maior variedade de produtos. “Para o consumidor comum, o barateamento tende a ser pontual, lento e desigual”, ressaltou.
Vaner Correa lembra ainda que no Brasil, o preço final dos produtos é muito impactado por impostos, custos logísticos, margens de distribuição, câmbio, concentração de mercado. O presidente do Corecon-ES, Ricardo Paixão, ressalta que o aumento das exportações, prevista após a concretização do acordo, estimula a produção nacional, o que resulta na criação de novos postos de trabalho e no aumento da renda da população. “A população passa a ter acesso a uma maior diversidade de produtos importados com preços mais acessíveis, aumentando a concorrência e tendendo a reduzir os preços médios no mercado interno”, pontua.
Vaner Correa faz um alerta com relação a indústria local, que não pode ser pressionada pelo novo acordo. “Caso isso aconteça, pode gerar perda de empregos, precarização salarial e aumento da informalidade. No estado, há presença de setores industriais e logísticos integrados, mas também há cadeias produtivas frágeis, que sofrem com concorrência externa’, explicou.
Desta forma, podem se beneficiar mais do acordo Mercosul/EU as Classes A e B, que consomem mais bens importados e duráveis como carros, eletrônicos, viagens, etc. Segundo o economista, este grupo tem renda menos sensível à inflação de alimentos e serviços básicos, ao contrário das Classes C e D, que gastam maior parte da renda com alimentação, transporte, energia, aluguel, etc. “Para estas duas últimas, o ganho é indireto e incerto”, comentou. Ricardão Paixão destaca: “as classes menos favorecidas são beneficiadas a médio prazo pela queda geral de preços, especialmente alimentos, e pela oferta de empregos em setores como agronegócio, indústria e construção civil”.

