Centro de Cafés Especiais do ES (Cecafes) realiza o trabalho de análise de projetos de pesquisa voltados para a qualidade e melhoramento genético da planta
Por Cinthia Ferreira
Com o objetivo principal de oferecer ações focadas na produção e obtenção de cafés especiais (arábica e conilon) em todo o território capixaba, e atuando em conjunto com a pesquisa e extensão do Incaper, assim como com instituições parceiras e iniciativa privada, o Centro de Cafés Especiais do Espírito Santo (Cecafes), localizado na Fazenda Experimental de Venda Nova do Imigrante, foi criado em novembro de 2020, pertence ao Incaper e está vinculado ao Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação Serrano (CPDI Serrano).

Douglas Gonzaga de Sousa, coordenador do Cecafes conta que nestes cinco anos a atuação do Centro foi estratégica para fortalecer a produção de cafés especiais no estado. “Nos últimos cinco anos avaliamos cerca de quatro mil amostras, em média, e em 2025 já foram avaliadas 5.130 amostras”, relata.
Embora atenda todo o território capixaba, as maiores demandas concentram-se nas regiões sul, montanhas e Caparaó. O Incaper conta também com outras cinco unidades de referência, estrategicamente distribuídas em Alto Rio Novo, Irupi, Linhares, Muqui e São José do Calçado. Sousa explica que as amostras são encaminhadas pelo escritório local de desenvolvimento rural (ELDR), via correios, ou os produtores rurais levam até o local.
Junto com a pesquisa e extensão do Incaper, o Cecafes realiza o trabalho de análise de projetos de pesquisa voltados para a qualidade e melhoramento genético. Sobre a avaliação da qualidade, o coordenador ressalta que seguem os protocolos estabelecidos pela Specialty Coffee Association (SCA).
“Agora estamos na transição para o novo protocolo de análise sensorial de cafés, o Coffee Value Assessment (CVA), como estabelecido pela SCA e BSCA (Brazilian Specialty Coffee Association) a partir de outubro de 2025. Nossa equipe possui certificação internacional para avaliar de forma técnica e padronizada a qualidade do café, em particular cafés especiais, e recebe treinamento na aplicação do novo protocolo”, esclarece Douglas.
Aliado ao trabalho técnico, a estrutura do Centro, ampla e organizada, conta com equipamentos modernos para atender às demandas de análise física e sensorial.
E oferece treinamentos gratuitos os produtores rurais, voltados à qualificação técnica, melhoria da qualidade do café e agregação de valor. Alguns cursos são realizados em parceria com outras instituições, como Senar, Sebrae e Senac.
Com tanta qualidade, o Espírito Santo ocupa hoje uma posição de relevância na cafeicultura nacional e internacional e participa de vários concursos realizados por municípios, associações e cooperativas com o apoio do Cecafes. Em cinco anos foram mais de 25 concursos municipais, com destaque para a realização do Prêmio de Cafés Especiais do Espírito Santo, realizado em parceria com a BSCA.
Para Sousa, o reconhecimento da qualidade do café capixaba é resultado do trabalho incansável dos cafeicultores e da sociedade. “Eles cultivam o café com tradição, paixão e muito cuidado com os solos capixabas. Além disso, diversas iniciativas e programas vêm sendo desenvolvidos com foco na qualidade, produtividade e sustentabilidade, elevando ainda mais a competitividade da nossa cafeicultura”, analisa.
E conclui: “Cada café carrega uma história própria. Dentro de uma xícara existem muito mais do que grãos: há trabalho, pesquisa, tecnologia, afeto, cultura e identidade.
Produzimos cafés com perfis aromáticos e sensoriais que agradam a todos os paladares. Costumo dizer que cabe o mundo dentro de uma xícara de café capixaba. Somos uma terra de diversidade sensorial”.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

