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Crédito e incentivo ampliam apoio ao café capixaba

Estado e bancada no Congresso articulam ampliação de financiamento enquanto setor bate recordes e enfrenta pressão dos juros e desafios de competitividade

Por Denise Miranda

O Espírito Santo consolida sua posição como potência cafeeira nacional em meio a uma disputa crescente por crédito, tecnologia e sustentabilidade no campo. Responsável por uma das cadeias mais intensivas em geração de renda do agronegócio brasileiro, o Estado movimentou 4,3 milhões de sacas exportadas em 2025, com receita de US$ 1,2 bilhão e presença em 62 países. O início de 2026, porém, já aponta desaceleração nos embarques, maior pressão sobre custos de produção e preocupação crescente do setor com acesso a financiamento em um cenário de juros elevados e exigências internacionais mais rigorosas.

O avanço da cafeicultura capixaba tem sido sustentado por políticas públicas de crédito, assistência técnica e modernização produtiva, articuladas pelo governo estadual em parceria com cooperativas, sistema financeiro e setor privado. Segundo a Secretaria de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo (Seag), os programas priorizam irrigação, renovação de lavouras, sustentabilidade e aumento da rentabilidade no campo, com foco direto no pequeno e médio produtor, especialmente nas regiões do Caparaó, Noroeste e Serrana, onde o café representa a principal fonte de renda de milhares de famílias.

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O secretário estadual de Agricultura, Enio Bergoli, afirma que o principal desafio da cafeicultura brasileira hoje é preservar competitividade em um ambiente de juros elevados, aumento do custo de produção e forte exigência de qualidade por parte do mercado internacional. Segundo ele, embora existam linhas de financiamento específicas para o agro, o custo do crédito ainda preocupa produtores e cooperativas.

Principais gargalos

“O problema do crédito hoje é que a taxa Selic está em 14,5% ao ano. As boas linhas de financiamento para médios produtores estão girando em torno de 9% e 10%, o que ainda é alto. Na agricultura familiar, as taxas ficam entre 6% e 8%, abaixo do mercado, mas mesmo assim representam um peso importante para quem precisa investir em irrigação, renovação de lavoura, máquinas e tecnologia”, afirmou Bergoli.

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Segundo o secretário, o crédito rural se tornou peça central para garantir permanência e capacidade de investimento no campo. “Hoje, quem não investe em eficiência operacional, qualidade e tecnologia acaba perdendo espaço. O produtor rural precisa de previsibilidade para continuar produzindo e modernizando sua propriedade. Sem financiamento acessível, muitos investimentos acabam sendo adiados”, disse.

Bergoli afirma que a política agrícola estadual passou a priorizar eficiência econômica, agregação de valor e sustentabilidade como estratégia de permanência no mercado global. “Nós estamos trabalhando para fortalecer toda a cadeia produtiva, desde o acesso ao financiamento até a assistência técnica no campo. O objetivo é garantir que o produtor aumente renda e desempenho no campo sem necessariamente ampliar área plantada”, ressaltou.

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Destaque na cafeicultura

O secretário também destaca um diferencial estratégico do Espírito Santo dentro da cafeicultura nacional. “É muito importante registrar que o Espírito Santo é o único estado brasileiro que produz, em escala comercial relevante, as duas principais espécies de café: conilon e arábica. Nós temos o conilon nas regiões mais quentes e o arábica nas regiões mais frias. Isso dá ao Estado uma diversidade produtiva e uma capacidade de mercado muito diferenciadas”, afirmou.

Segundo ele, essa característica fortalece a posição capixaba diante das oscilações internacionais do mercado e amplia a capacidade de inserção do café produzido no Estado em diferentes nichos consumidores. “O Espírito Santo conseguiu construir uma cafeicultura tecnificada, sustentável e altamente competitiva. Hoje temos produtores investindo em rastreabilidade, qualidade e manejo sustentável porque entenderam que sustentabilidade também é um diferencial econômico”, disse.

De olho no Funcafé

No Congresso Nacional, a bancada capixaba acompanha a execução do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), cuja dotação para o ano-safra 2026/2027 foi fixada em R$ 7,368 bilhões pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. O fundo financia custeio, comercialização, capital de giro e recuperação de lavouras, sendo considerado peça central para estabilidade da renda no campo em um setor altamente exposto à volatilidade de preços internacionais e às oscilações climáticas.

Em municípios produtores do Caparaó, Noroeste e Serrana, cooperativas e cafeicultores relatam aumento dos custos com fertilizantes, energia, mão de obra e logística, ao mesmo tempo em que dependem cada vez mais de linhas de crédito para manter investimentos em irrigação, renovação das lavouras e melhoria da qualidade do produto exportado.

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Mais do que ampliar produção, o desafio da cafeicultura capixaba passa a ser garantir renda, inovação e permanência do produtor em um mercado global cada vez mais competitivo, tecnológico e pressionado por custos financeiros e exigências ambientais internacionais.

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