Exportações brasileiras ganham alternativas com o novo acordo com a União Europeia, reduzindo dependência de países que adotam medidas protecionistas
Por Amanda Amaral
Previsto para ser assinado no sábado (17), o acordo do Mercosul e União Europeia (Mercosul/UE) deve trazer diversas oportunidades para o Brasil com o acesso ao mercado europeu e a perspectiva de mais investimentos. Segundo especialistas, o Espírito Santo possui características específicas que serão diferenciais após a formalização do tratado, que cria a maior zona de livre comércio do mundo.
O Ministério do Relacionamento Exterior afirmou que, juntos, Mercosul e UE reúnem cerca de 718 milhões de pessoas e Produto Interno Bruto (PIB) de aproximadamente US$ 22,4 trilhões de dólares. “A parceria passará a representar 25% do PIB global”, disse o diretor-geral do Instituto Jones Santos Neves (IJSN), Pablo Lira. Uma das vantagens do tratado, em sua opinião, é o acesso de produtos brasileiros ao mercado europeu. Outra vantagem, é a entrada no Brasil de produtos europeus (vinhos, queijos, automóveis e tecnologia).
Lira ressalta que o estado já possui forte presença na Europa com o café, mamão e pimenta. Também citou as rochas ornamentais, que, neste caso, tem a Itália como estratégia para importações do produto capixaba, país que se mostrou protagonista para assinatura do tratado. Apesar ano passado, o setor de rochas ornamentais sofreu com as tarifas de 50% dos EUA. Ainda há três produtos do agro capixaba entre os tarifados. Por isso, Lira ainda acrescenta a questão do protecionismo: “O acordo fortalece o multilateralismo e protege os blocos contra tendências protecionistas globais, como as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos no ano de 2025”.
Para o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-ES), Ricardo Paixão, com um mercado garantido na Europa, o Brasil ganha alternativas para escoar sua produção caso países como os Estados Unidos adotem medidas protecionistas ou tarifárias agressivas. “O acordo elimina ou reduz barreiras sanitárias e técnicas que muitas vezes são usadas como medidas protecionistas, como alegações de doenças em rebanhos, para impedir a entrada de produtos brasileiros”, explicou o economista. O diretor-geral do IJSN lembra: “Os produtores do nosso estado conseguiram redirecionar a parte da produção, após o tarifaço norte-americano, para a Europa. A Bélgica foi um dos países que comprou muito café do Espírito Santo e do Brasil”.

Para Lira, o Espírito Santo está mais preparado que a maioria dos estados brasileiros para colher os frutos do acordo internacional devido ao plano de modernização logística e responsabilidade fiscal. “O estado se antecipou e se consolida como um hub que conecta o Brasil ao mundo. Foram realizados investimentos em portos, aeroportos regionais, rodovias e zonas de processamento. Mais de R$ 21 bilhões investidos entre 2019 e 2025. Além disso, o estado investe mais de 20% de sua receita, enquanto a média nacional é de 7% a 8%”, disse. Ricardo Paixão explica que a logística em larga escala permite otimizar o transporte. “Ao enviar grandes volumes de diferentes produtos como o café, por exemplo, para a mesma região, o custo médio por tonelada diminui, tornando o estado mais competitivo globalmente”, analisou.

