Em entrevista à ES Brasil, a nutricionista Giselli Prucoli explicou que a alimentação é uma aliada no controle do lipedema, ajudando a reduzir sintomas como dor, inflamação e inchaço
Por Thamiris Guidoni
Embora não tenha cura, o lipedema pode ter seus sintomas significativamente reduzidos com mudanças no estilo de vida, especialmente na alimentação. A condição, marcada por acúmulo de gordura, dor e inchaço, exige um manejo contínuo que pode ser impactado pela dieta.
Em entrevista à ES Brasil, a nutricionista Giselli Prucoli, da MedSênior, explica que a alimentação não atua como tratamento curativo, mas é uma aliada importante no controle do lipedema.
“A alimentação desempenha um papel crucial no controle do lipedema, não como uma cura, mas como uma ferramenta fundamental e indispensável para gerenciar sintomas como dor e sensibilidade, reduzir a inflamação, o edema e a retenção de líquidos, além de contribuir para a prevenção da progressão e para a melhora da qualidade de vida”, afirma.
Segundo ela, o foco deve estar em uma alimentação anti-inflamatória, baseada em comida de verdade e rica em compostos antioxidantes.
“Entre os principais alimentos indicados estão peixes ricos em ômega-3, como salmão e sardinha, além de frutas vermelhas, vegetais de folhas verdes escuras, azeite de oliva extravirgem, oleaginosas, sementes e leguminosas. Especiarias como cúrcuma, gengibre, alho e canela também contribuem para a modulação da inflamação.”
As fibras presentes em leguminosas e vegetais auxiliam ainda no controle glicêmico e na saúde intestinal, fatores que influenciam diretamente o processo inflamatório associado ao lipedema.
“Chás como verde, hibisco e camomila podem ajudar no equilíbrio do organismo e no controle da retenção de líquidos.”
Alimentos que podem piorar os sintomas
Por outro lado, alguns grupos alimentares tendem a agravar o quadro. Açúcares refinados, ultraprocessados, frituras, gorduras trans e carboidratos refinados estão entre os principais, por aumentarem inflamação, dor e retenção hídrica.
“O excesso de sódio, presente em alimentos industrializados e embutidos, também pode intensificar o inchaço. O consumo de álcool é outro fator de piora, por favorecer inflamação sistêmica e desidratação”, pontua.
Dieta anti-inflamatória ajuda no controle
A especialista destaca que padrões alimentares anti-inflamatórios têm impacto direto no manejo dos sintomas, embora não representem uma cura.
“Dietas baseadas em alimentos naturais podem reduzir dor, sensação de peso e sensibilidade ao toque, além de contribuir para a melhora geral da inflamação.”
A constância, segundo ela, é um dos principais fatores para observar resultados.
Hidratação também é fundamental
A ingestão adequada de água também influencia no controle da retenção de líquidos. A recomendação varia conforme cada pessoa, mas manter boa hidratação ajuda o organismo a eliminar toxinas e reduzir o inchaço. “Chás com ação diurética, como hibisco e chá verde, podem ser aliados nesse processo.”
Segundo Giselli, não são necessárias mudanças radicais para começar a notar melhora. A adoção gradual de hábitos alimentares mais saudáveis já pode trazer redução de sintomas e melhora da qualidade de vida.

