Em entrevista à ES Brasil, a pediatra Adriana Amaral explica os principais sinais de pneumonia em crianças, como diferenciar de infecções comuns e quando buscar atendimento médico imediato
Por Thamiris Guidoni
Com a chegada do inverno, prevista para o dia 21 de junho, aumentam os casos de infecções respiratórias em crianças, impulsionados pela maior circulação de vírus em ambientes fechados e pouco ventilados. O cenário acende o alerta para a evolução de quadros simples, como gripes e resfriados, para a pneumonia.
Em entrevista à ES Brasil, a coordenadora da pediatria do Hospital São Luiz e do Hospital São Francisco, Adriana Amaral, explicou que a diferença entre uma infecção de vias aéreas superiores (IVAS – infecções que atingem nariz, garganta e vias aéreas iniciais, como resfriados, gripes e faringites) e a pneumonia está na evolução clínica.
“Nas IVAS, o quadro tende a regredir em três a cinco dias. Já na pneumonia, ele é mais insidioso, com febre persistente e piora do estado geral mesmo fora da vigência da febre”, afirma.
Segundo ela, a persistência dos sintomas é o principal sinal de alerta. “Febre que não melhora, dor no peito e aumento do cansaço nas atividades do dia a dia mostram que a criança não está bem, mesmo quando a febre baixa”, explica.
Adriana destaca que muitas pneumonias começam como infecções virais. “Na primeira infância, as crianças ainda não têm imunização completa nem ampla exposição prévia a vírus, o que aumenta a suscetibilidade”, diz.
Nesse cenário, o organismo pode ficar mais vulnerável à infecção bacteriana. “Enquanto combate o vírus, pode haver sobreposição bacteriana, agravando o quadro”, completa.
Entre os sinais de gravidade, a médica cita aumento da frequência respiratória, esforço para respirar com uso da musculatura do pescoço e das costelas, batimento de asa do nariz, recusa alimentar e sinais de desidratação.
A pneumopediatra do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), Laís Fraga, reforça que a pneumonia pode começar de forma discreta.
“Em crianças pequenas, os sinais incluem febre, prostração e alteração do padrão respiratório. Em bebês, também merecem atenção a redução das mamadas e a sonolência excessiva”, afirma. Em crianças maiores, o quadro pode evoluir com tosse persistente, cansaço, dor no peito e dificuldade para respirar.
Sinais de alerta que exigem atendimento médico imediato
- Respiração rápida ou com esforço
- Afundamento das costelas ou do pescoço
- Febre persistente (≥ 37,5°C por mais de 72 horas)
- Prostração intensa
- Irritabilidade intensa
- Recusa alimentar
- Ingestão reduzida de líquidos
- Redução do volume urinário
- Vômitos frequentes
- Sinais de desidratação
Segundo especialistas, medidas simples ajudam na prevenção. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a lavagem correta das mãos pode reduzir em até 40% as infecções respiratórias. Também é importante evitar contato de bebês com pessoas sintomáticas, já que até quadros leves podem evoluir com gravidade na primeira infância.

