Golpes digitais ganham força com deepfakes realistas; saiba como identificar manipulações e proteger suas informações online
Por Thamiris Guidoni
A inteligência artificial já faz parte da rotina da população, presente em aplicativos, redes sociais, bancos, atendimentos automatizados e na produção de conteúdo digital. Paralelamente à popularização da tecnologia, cresce também o número de golpes que utilizam recursos avançados de IA, como clonagem de voz, troca de rostos, deepfakes e vídeos falsos cada vez mais realistas.
Casos envolvendo esse tipo de fraude têm sido frequentemente noticiados e alertados por órgãos de segurança pública. As ocorrências vão desde falsos pedidos de dinheiro via Pix até vídeos e áudios manipulados para enganar vítimas, explorando sentimentos de urgência, confiança e apelos emocionais.
Diante desse cenário, o especialista em inteligência artificial criativa e generativa
Bruno Hilel, que atua nas redes sociais desde 2023, passou a usar seu conhecimento técnico para produzir conteúdos de alerta, mostrando como ferramentas de IA, quando usadas de forma mal-intencionada, podem gerar simulações altamente convincentes e enganosas.
Um dos vídeos produzidos por ele ganhou grande repercussão ao demonstrar, na prática, a criação de personagens fictícios com inteligência artificial para simular pedidos de dinheiro e falsas aprovações bancárias. O conteúdo ultrapassou a bolha do marketing e da tecnologia, alcançou o grande público e teve repercussão nacional.
No vídeo, Bruno apresenta dois personagens criados integralmente por IA: Dona Maria, que solicita doações via Pix para comprar comida para os filhos, e José, que se passa por gerente de banco e afirma que um empréstimo teria sido aprovado. A simulação evidencia como rostos, vozes e narrativas podem ser manipulados de forma realista, sem corresponder à realidade.
O material foi replicado por portais de notícias, páginas de entretenimento, rádios e perfis de grande alcance, passando a ser utilizado como alerta de utilidade pública.
Para o especialista, a inteligência artificial continua sendo uma aliada do mercado criativo, desde que acompanhada de responsabilidade e informação.
“A inteligência artificial já está integrada ao nosso cotidiano. O problema não é a tecnologia em si, mas o uso sem critério e sem informação. Quanto mais realistas essas ferramentas ficam, mais importante é que as pessoas desenvolvam senso crítico antes de acreditar ou compartilhar qualquer conteúdo”, afirma.
Ele reforça que o conhecimento técnico pode cumprir um papel social relevante.
“Como profissional que trabalha diariamente com inteligência artificial criativa, achei importante usar esse conhecimento para mostrar, na prática, como deepfakes e simulações podem enganar. Informação hoje é uma forma de proteção, especialmente em um ambiente digital cada vez mais sofisticado.”
Essa matéria é uma republicação de fevereiro de 2026.