Fundador de uma das bancas mais prestigiadas do país, o advogado morreu aos 79 anos, após meses de internação e complicações de saúde decorrentes da Covid-19
Por Denise Miranda
Morreu neste domingo (27), no Rio de Janeiro, aos 79 anos, o advogado Sérgio Bermudes, um dos nomes mais influentes da advocacia brasileira e referência no contencioso cível e no mercado de capitais. O jurista estava internado havia sete meses no Hospital Copa Star, em Copacabana, e, segundo pessoas próximas, enfrentava sequelas decorrentes da Covid-19.
O governador Renato Casagrande lamentou profundamente o falecimento do advogado e jurista capixaba, cachoeirense Sérgio Bermudes, referência nacional do Direito e orgulho para o Espírito Santo. “Lamento profundamente o falecimento do advogado e jurista capixaba, cachoeirense Sérgio Bermudes, referência nacional do Direito e orgulho para o nosso Estado. Em homenagem à sua trajetória, decreto três dias de luto oficial em todo o Espírito Santo. Minha solidariedade à família, aos amigos e à comunidade jurídica”, afirmou o governador.
Natural de Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo, Bermudes construiu uma trajetória de mais de cinco décadas marcada por protagonismo jurídico, intelectual e institucional. Em 1969, fundou o Escritório Sérgio Bermudes, no Rio de Janeiro, que se tornaria uma das bancas mais respeitadas do país, com filiais em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Sua atuação influenciou diretamente a formação do moderno contencioso empresarial brasileiro, além de contribuir para debates jurídicos de grande repercussão nacional.
O advogado era reconhecido tanto pela erudição quanto pela firmeza de posicionamentos. Com perfil analítico e discurso refinado, tornou-se presença constante em discussões sobre Direito Processual e mercado de capitais, além de conselheiro informal de políticos, empresários e ministros de tribunais superiores.
Quem era Sérgio Bermudes
Nascido em 1945, em Cachoeiro de Itapemirim, Bermudes formou-se em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e iniciou carreira no final dos anos 1960. Com a fundação do Escritório Sérgio Bermudes, em 1969, consolidou um modelo de advocacia voltado a causas de grande complexidade e repercussão nacional.
Entre os casos de destaque esteve a ação movida por Clarice Herzog, viúva do jornalista Vladimir Herzog, que resultou no reconhecimento da responsabilidade do Estado pela morte do jornalista durante a ditadura militar — um marco na luta por memória e justiça no país.
Professor de Direito Processual Civil da PUC-Rio e da UERJ, Bermudes também teve papel relevante em comissões de juristas que discutiram reformas do Código de Processo Civil, defendendo a modernização do sistema judicial. Era autor de artigos e livros técnicos que se tornaram referência para operadores do Direito.
Figura de grande influência nos bastidores do Judiciário, foi amigo e conselheiro de ministros, procuradores e políticos, mantendo, ao longo da vida, um estilo discreto, mas decisivo.
Legado
Com trajetória marcada por rigor técnico e visão estratégica, Bermudes deixa um legado que ultrapassa as fronteiras do Direito. Seu escritório formou gerações de advogados e ajudou a moldar a atuação da advocacia empresarial no Brasil.
Sua morte representa uma perda sentida não apenas pelo meio jurídico, mas também por quem acompanha a história recente da democracia e da justiça brasileira — uma trajetória que começou no interior do Espírito Santo e se tornou símbolo nacional de excelência profissional.

