Estado lidera as exportações nacionais, mas busca abrir novas frentes de mercado como o Oriente Médio
Por Amanda Amaral
Nesta terça-feira (16), durante a 3º edição do Stone Core, foram apresentadas pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Fábio Cruz, os novos mercados no exterior que estão na mira do setor de rochas brasileiros.
Os Estados Unidos importam 85% das pedras naturais que consomem, sendo o Brasil o principal fornecedor com cerca de 25% de participação, segundo Cruz. Em 2025, quando o setor bateu recorde de exportações, com US$ 1,48 bilhão de faturamento, o Espírito Santo foi responsável por 78,5% desse total, e a maior parte foi destinada para os EUA, 63,9%.
“Precisamos buscar a internacionalização e aprender de alguma forma a influenciar o mercado e a gerar demanda”, disse. Diante disso, a Centrorochas apresentou como novas frentes a serem exploradas o México e o mundo árabe (Arábia Saudita e Emirados Árabes) – onde já há discussão para a criação de um hub do setor.
Foram destacados também o Norte da África como um forte hub regional emergente, e a Europa como uma incógnita para os próximos dez anos devido ao Acordo Mercosul – União Europeia. “O Norte da África vem se tornando um hub regional muito importante para o próprio Oriente Médio. O Egito vem produzindo barato para os Emirados Árabes e para a Arábia Saudita, e está funcionando muito. É um mercado que vale a pena a gente estudar mais”, disse Cruz.
Ele destacou ainda que o total exportado pelo Brasil pelo setor de rochas, 53% vai para os Estados Unidos. “Se isolarmos somente as chapas, esse número nos últimos anos tem ficado acima de 70%. Eu não acho que os Estados Unidos vão deixar de ser o nosso principal mercado, mas temos que entender o nível de vulnerabilidade em função de termos um único mercado”, explicou.
Foram destacados pela Centrorochas cinco pilares estratégicos para o setor no momento: a defesa de seus interesses; geração de demanda; diversificação de mercados; inteligência de mercado (dados, pesquisas); e competitividade e inovação.
Sustentabilidade
No Stone Core, o presidente da Centrorochas, Tales Machado, também falou que o setor busca consolidar dados que comprovem que a rocha natural é consideravelmente menos poluidora que concorrentes como o alumínio, plástico, aço e cerâmica.

“Hoje, o mercado exige o uso de materiais sustentáveis, se obtermos mais informações sobre as rochas, não tenho dúvida de que isso pode mudar o posicionamento do setor”, afirmou. Em parceria com o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), está em andamento o projeto EPD Global, um investimento de R$ 900 milhões.
A iniciativa visa a estruturar padrões internacionais para a emissão de Declarações Ambientais de Produto (EPDs), posicionando a pedra natural como um material de baixo carbono. “Temos 19 empresas engajadas no projeto, nossa meta é alcançar 50”, disse.

